01 jan

Morte e ressurreição de uma primeira nota

Pode parecer estranho lançar um site sem algo que fale sobre o seu lançamento. A primeira nota deste espaço, publicada no primeiro dia do ano, fala de uma experiência espetacular, surgida na Alemanha, a respeito da geração de energia elétrica através de painéis solares.

Antes dela, no entanto, havia escrito uma nota inaugural, que depois foi apagada porque me pareceu fora do contexto e poderia dar margens a interpretações equivocadas dos objetivos deste Uma Ideia de Cidade.

No entanto, desde então, estou bastante incomodado com essa decisão, porque acho que alguns pontos da falecida nota deveriam ser mantidos, embora com alguma moderação na verborragia libertária.

Em síntese, esse texto sustentava que qualquer boa ideia para uma cidade – por melhor que seja e por melhores que sejam as intenções por trás – dificilmente sairá do papel se não contar com dois pré-requisitos: participação popular e, em decorrência disso, uma classe política que tenha consciência do seu papel como agente de mudanças e desenvolvimento.

Participação popular significa, neste caso, a ocupação de espaços institucionais de forma a que a ação da sociedade interfira sobre determinado acontecimento, que pode ser um projeto de lei, a discussão de um Plano Diretor ou Lei de Uso e Ocupação do Solo.

Em termos práticos, essa ação só se torna visível a partir do instante em que participemos, de forma regular, de reuniões da Câmara municipal, onde são votados projetos que terão impacto permanente nas nossas vidas. Significa, também, se fazer presentes em reuniões públicas, promovidas pela Administração Municipal, para discutir projetos que vão alterar, significativamente, a geografia de uma área e o cotidiano de milhares de pessoas que moram ou trabalham nesse mesmo local. Acima de tudo, significa ter consciência da importância da escolha de um candidato a cargo público, seja vereador ou prefeito.

Hoje, em Ribeirão Preto e, provavelmente, em todos os municípios brasileiros, nenhuma dessas condições é preenchida. Embora tenhamos garantidos os espaços para participação e intervenção nas decisões dos administradores públicos, não o fazemos. E, ao não fazê-lo, de certa forma, perdemos a legitimidade para criticar ações adotadas por eles.

A primeira nota deste site tinha a ver com tudo isso. Acho que é preciso ir além da crítica, só da crítica. Precisamos assumir a nossa parcela de responsabilidades nos espaços que temos garantidos e usá-los para mudar a realidade. A Cidade tem de ser ocupada.

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