04 jan

A importância e a fragilidade do Pró-Ética

O Instituto Ethos e a Controladoria-Geral da União criaram o Cadastro Nacional de Empresas Comprometidas com a Ética e a Integridade (Pró-Ética), uma iniciativa que visa “avaliar e divulgar as companhias voluntariamente engajadas na construção de um ambiente de integridade e confiança nas relações comerciais, inclusive nas que envolvem o setor público”. Mais informações aqui.

Empresas interessadas em participar do programa, têm informações adicionais aqui.

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Em tempo

Uma das empresas cadastradas no Pró-Ética, desde 2011, é a Siemens. A corporação alemã surgiu com algum destaque na mídia após confessar a existência de uma rede de propinas pagas a políticos do PSDB paulista, envolvendo, entre outras coisas, contratos de manutenção de trens.

Abaixo, ponho o link de matérias publicadas pelos portais da Deutsche Welle e BBC sobre a convivência histórica da Siemens com o pagamento de propinas. O ponto aqui não é saber porque a gigante alemã faz parte do Pró-Ética ou questionar a própria iniciativa, mas tentar apontar a fragilidade de programas como esse, que funcionam muito bem no papel mas que, na prática, pesam muito pouco em decisões de empresas que envolvem milhões de dólares. O Pró-Ética é um começo. Só isso.

Um questionário de 51 perguntas, que depois será avaliado por um comitê gestor, é a porta de entrada de qualquer empresa para integrar o Pró-Ética. Há algumas questões interessantes, como o fato de algum integrante da direção da empresa já ter sido condenado por prática de corrupção contra a administração pública ou se a empresa é signatária de ações globais anti-corrupção. O questionário avaliativo pode ser baixado, aqui.

Matéria da Deutsche Welle pode ser acessada aqui e a da BBC, aqui. O texto da BBC é bastante interessante, porque mostra que a legislação alemã permitia o pagamento de propina a governos estrangeiros. Mais do que isso, o suborno poderia ser abatido no imposto de renda.

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  • Na sua opinião, uma iniciativa como essa pode dar bons frutos?
  • Você acha que medidas como o Pró-Ética visam, realmente, diminuir a corrupção no país ou são apenas uma forma de dar às grandes empresas uma aura de transparência, que nem sempre corresponde à verdade? Ou, em outras palavras, é uma situação que só interessa a um lado?

 

 

 

 

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