15 jun

Quanto vale o seu voto nas próximas eleições?

Em outubro, quando você comparecer às urnas para cumprir com o dever cívico de eleger os seus representantes, talvez seja bom fazer algumas contas. Vejamos: quando você apertar os botõezinhos da urna eletrônica, você vai eleger 1 Presidente, 1 Governador, 1 Senador, 1 Deputado Federal e 1 Deputado Federal. Uma pesquisa rápida mostrou os seguintes salários (só os salários. Por exemplo, no caso de um deputado federal. o valor recebido chega a R$ 140 mil):

a) Presidente da República: R$ 26.723,00
b) Governador: R$ 26.723,00
c) Senador: R$ 26.723,00
d) Deputado Federal: R$ 26.723,00
e) Deputado Estadual: R$ 20 mil

Ao eleger cada ocupante desse cargos, os valores são multiplicados, no mínimo, por 48. Não se vai levar em conta 13º salário ou, no caso dos senadores, mandatos de oito anos. Com isso, teremos os seguintes resultados:
a) Presidente da República: R$ 26.723 x 48 = R$ 1.282.704,00
b) Governador: R$ 26.723 x 48 = R$ 1.282.704,00
c) Senador: R$ 26.723 x 48 = R$ 1.282.704,00
d) Deputado Federal: R$ 26.723 x 48 = R$ 1.282.704,00
e) Deputado Estadual: R$ 20 mil x 48 = R$ 960 mil
Total: R$ 6.090.816

São contas grosseiras, mas que dão uma ideia do que significa o seu voto.
Assim, quando estiver na cabine de votação, você não está apenas cumprindo com o seu dever cívico, como também está dando um cheque de R$ 1 milhão (no mínimo) para o seu candidato a presidente + R$ 1 milhão para governador + R$ 1 milhão para senador + R$ 1 milhão para deputado federal + quase R$ 1 milhão para deputado estadual. Ou seja, o seu voto nas próximas eleições vale R$ 6 milhões, no mínimo. É isso o que você vai pagar de salários durante os quatro anos em que os seus representantes estiverem nos cargos. E de onde você acha que sai esse dinheiro? Basicamente, do seu bolso. Por isso, quando você for escolher um candidato, use não apenas a cabeça, mas o bolso.

Por fim, por que essas continhas todas, em um site sobre boas soluções urbanas? Bem, basicamente porque grande parte dessas ideias, infelizmente, só conseguem sair do papel se houver representantes políticos que consigam antecipar problemas, ou que, pelo menos, percebê-los como problemas. Depois, que consigam encontrar soluções adequadas para eles. Hoje, você tem isso?

É uma discussão que este blogue vai tentar levantar, nos próximos posts. As questões, em alguns momentos, vão ficar muito centradas nos problemas de Ribeirão Preto, mas acredito que sejam comuns a todas as cidades.

A propósito, o salário BRUTO de um vereador em Ribeirão Preto é de cerca de R$ 11 mil. Por mandato, o gasto per capita é de meio milhão de reais (R$ 528 mil).  O que você acha de se começar a fazer algumas contas que tenham a ver com a relação custo-benefício de um vereador para ver o que conseguimos obter?

09 jun

Como as cidades podem tornar mais fácil a vida de cidadãos da Terceira Idade?

Foto:Reuters, via Cityfixer

Como podemos criar cidades em que tanto crianças de 8 anos e pessoas de 80 anos possam se movimentar, de forma segura e divertida? “Temos que parar de construir cidades como se todo mundo tivesse 30 anos de idade e em boa forma física”, diz Gil Peñalosa, diretor de do projeto “Toronto 8-80 Cities”. O objetivo do projeto envolve imaginar um espaço público, mas especialmente uma rua movimentada da cidade ou cruzamento, e perguntar se ele é adequado para jovens e velhos. Em todas as demais localidades – cruzamentos sinalizados em largas artérias suburbanas, ciclovias estreitas, áreas de estacionamento sobretaxadas, etc – a resposta será não.

O trecho acima faz do artigo de The Big Fix, escrito por John Lorinc. O texto, por sua vez, é citado no artigo que dá nome a este post, publicado no site Cityfixer, que integra o portal The Atlantic CityLab. Esse portal apresenta diversas ideias sobre como melhorar a mobilidade e, de modo geral, a qualidade de vida, sobretudo nas grandes cidades.

No caso dos cidadãos da Terceira Idade, o exemplo do texto do Cityfixer é a cidade norte-americana de Aiken, na Carolina do Sul, que implementou uma série de medidas destinadas a tornar a cidade mais amigável para os cidadãos sêniors.

O texto completo, em inglês, pode ser achado neste endereço: http://www.citylab.com/cityfixer/2012/01/how-can-cities-make-life-easier-elderly/1017/.

05 jun

A experiência de Dallas na recuperação de áreas urbanas degradadas: Better Block

Área de Dallas que foi alvo de intervenção da comunidade: como era (abaixo) e como ficou (acima)

Área de Dallas que foi alvo de intervenção da comunidade: como era (abaixo) e como ficou (acima)

A iniciativa surgiu em abril de 2010, quando um grupo de vizinhos se reuniu para revitalizar um uma quadra inutilizada do bairro onde moravam. Juntos, transformaram imóveis fora de uso e ruas largas em uma área que se tornou um imã para pessoas de todas as idades. Como? Com ciclovias, cafés, iluminação, áreas verdes, locais de descanso – criando espaços que essas pessoas podiam de fato utilizar“.

O trecho acima foi retirado de um posto publicado pelo site TheCityFixBrasil, e diz respeito a uma experiência de recuperação de espaços urbanos degradados, em Dallas (Texas). A iniciativa, chamada Better Block, está assente em um forte sentimento de comunidade e de ação coletiva. A matéria completa pode ser achada neste endereço: http://thecityfixbrasil.com/2014/06/04/better-blocks-transformando-o-ambiente-urbano/.

 

03 jun

Agenda Ribeirão – Seminário Andar

Agenda-Ribeirao

O engenheiro de tráfego Luiz Carlos Néspoli, atual superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), é o palestrante convidado para o seminário Andar, o terceiro e último painel de debates do Agenda Ribeirão. Amanhã, os trabalhos envolvem o tema da mobilidade urbana.

Néspoli passou duas décadas na Companhia do Metropolitano de São Paulo e, desde 2005, integra o corpo técnico da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), em São Paulo.

Além dele, o seminário vai contar com as presenças de Willian Latuf, superintendente da Transerp (empresa responsável pela gestão do trânsito de Ribeirão Preto), Sebastião Sérgio da Silveira (Ministério Público), Antonio Clóvis Coca Pinto Ferraz (Núcleo de Estudos de Segurança do Trânsito da USP São Carlos) e Pedro Kassab (consultor do Consórcio PróUrbano, responsável pela gestão do sistema de transortes coletivos de Ribeirão Preto).

O seminário Andar acontece das 8h às 12h, no Hotel Mont Blac, localizado na avenida Maurílio Biagi, 1547, em Ribeirão Preto. O evento é voltado para empresários, executivos, consultores, gestores públicos, e de empresas privadas, profissionais liberais, representantes de ONGs e estudantes.

01 jun

Michael Porter e o Índice de Progresso Social

Foto: Fernando Manoel Site Ideia Sustentável

Foto: Fernando Manoel
Site Ideia Sustentável

Na semana passada acabei encontrando um artigo bastante interessante, publicado no site Ideia Sustentável, a repeito de um índice criado pelo mago dos negócios, Michael Porter (Harvard Business School). Ele, em conjunto com a organização sem fins lucrativos Social Progress Imperative, criaram um conjunto de indicadores cujo objetivo é medir o desenvolvimento de um país, de forma mais ampla, que ultrapasse o tradicional PIB ou uma visão basicamente economicista.

No total, o Índice de Progresso Social (IPS), como foi chamado, compõe-se de 52 indicadores em três dimensões relacionadas ao desenvolvimento econômico e social: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidade.
Por que tanto indicador? Bem, segundo Porter, porque “(…) sempre houve a ideia de que o crescimento econômico é o que traz bem-estar. Mas o que o nosso índice mostra é que também funciona o sentido inverso, e que o bem-estar também leva ao progresso econômico. Se um país é mais estável e mais pacífico, claramente torna-se um lugar melhor para se fazer negócios”.

O artigo publicado pelo site Ideia Sustentável pode ser encontrado no seguinte endereço: http://www.ideiasustentavel.com.br/2014/01/porter-paz-e-amor/.
Apesar de ter um pé atrás com esse tipo de iniciativa, acho que a ideia é bastante interessante e pode ser um bom ponto de partida para algo realmente útil e que tenha impacto significativo na elaboração de políticas públicas, em qualquer nível.

Fiquei particularmente curioso em saber se esse tipo de ferramenta – que é usado basicamente para a medição do desenvolvimento social de países – poderia ter algo similar para ser utilizado no âmbito municipal.

Já ouvi falar de um núcleo da USP de Ribeirão Preto que tem um trabalho interessante na criação de indicadores específicos para a área da Educação. Era interessante saber se existem outras iniciativas do mesmo tipo para outras áreas, especialmente segurança pública.
Se alguém souber de alguma coisa nesse sentido e quiser me enviar a dica, o e-mail é: ideia@umacidade.com.br.