10 ago

Curitiba faz conferência para divulgar ideias

Cidades Inovadoras

Em maio deste ano, a cidade de Curitiba patrocinou a 3ª Edição da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2014) e do Fórum ICities. O objetivo, claro, era a criação de um amplo espaço de debate, onde foram apresentadas ideias nas mais distintas áreas, que tornem mais interessante a vida na cidade.
O evento reuniu cerca de 1,2 mil pessoas e cerca de 100 palestrantes nos três dias em que ocorreu (7,8,e 9). Os debates foram estabelecidos em torno de seis eixos temáticos: mobilidade urbana, infraestrutura, tecnologias sociais, empreendedorismo, eficiência e viver a cidade.
A iniciativa foi uma promoção do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), da Universidade Positivo e Prefeitura de Curitiba.

Festival de ideias
Dentro do conferência, também ocorreu o Festival de Ideias, cuja proposta era encontrar soluções para melhorar a qualidade de vida nos ambientes urbanos por meio da participação das pessoas. A participação era gratuita e 21 ideias foram escolhidas.

Confira a principal ideia de alguns dos projetos selecionados, segundo informações da assessoria de imprensa da conferência:

  • “Viver a Cidade” – “Readequação das Estações Tubo”: Combo de ideias para melhoria das estações tubo, desde a ventilação, segurança, banheiros para funcionários até a adequação de um piso que gere energia.
  • “Ciclovia Universitária” – “Sistema de Ciclismo Utilitário”: Rede de ciclovias que ligue as universidades, melhorando os impactos ambientais e culturais e integrando a bicicleta como meio de transporte.
  • “Calçadas Para Todos”: Calçada que não seja exclusivas para deficientes, mas que objetivem a mobilidade e segurança de todos. Superfícies lisa com localizações, como pontos de ônibus ou turísticos.
  • “Suprimento de água”: Criação de cisternas em conjunto.
  • “SGAQ: Sistema Gerenciador de Água Quente”: Evitar o desperdício da água que escoa do chuveiro até que o seu aquecimento.
  • “Vida Verde” – “Geração de energia através de exercícios físicos” – “Usar uma atividade rotineira para gerar energia”: Gerar energia por meio das práticas de atividades física, estimulando o contato com a natureza.
  • “Bancos de Trabalho do Bem”: Ferramenta que reúna profissionais para ensinar sobre gestão para jovens empreendedores. Cada profissional coloca à disposição a expertise, transmitida via EAD, com curadoria.
  • “Commun: O Crowdfunding da Comunidade”: Site de Financiamento Coletivo Comunitário. A sugestão é cadastrada, avaliada e concretizada, por meio de financiamentos coletivos.
  • “Empresta Aí, Rede Colaborativa de Empréstimos”: Plataforma de troca de produtos, livros, textos entre as pessoas.
  • “Design Thinking e Ecoprodutos Brasileiros”: Intercâmbio de informações entre estudantes de design e artesãos, principalmente sobre o uso de algumas matérias-primas, como coco e pinhão.
  • “IdeiaLOCAL: Consumidores construindo o comércio local”: Plataforma digital que aproxima o consumidor do empreendedor
  • “SouArtistaPro – Ajudando artistas a viverem de sua arte”: Promover cursos (online e presenciais) de empreendedor para artistas.
  • “ReCiclo Cultural”: Recall de produtos reciclados para mobilizar a população visando a produção de materiais, como enfeites, blusas.
  • “.21″: Gangorra feita com materiais reciclados colocada em pontos de ônibus para gerar mais interação entre as pessoas.
  • “Paisagismo Urbano”: Palestras em bairros e espaços públicos para educar a população em relação ao meio ambiente.
  • “Energia do ‘Rush’” – “Energia Produzida por nós” – “Passo Verde”: Energia integrada sustentável (para iluminação, transporte) por meio da pisada ou passagem de automóveis em placas específicas.
  • “Mini Gerador Elétrico”: Utilizar movimento da água (rios e parques) para gerar energia, por meio do movimento cinético.
  • “Circuito Eletromecânico Gravitacional Circunscrito Transformador de Energia Potencial Cinética em Energia Elétrica”: Transformar energia potencial cinética sem fazer uso de força.
  • “Kids Rescue”: Aplicativo para ajudar a encontrar crianças nas ruas.

Comentário
O objetivo deste post é mostrar que parte razoável dos problemas urbanos podem ser resolvidos com ideias originais e gente disposta a executá-las, o que, aparentemente, ocorre em Curitiba.
A receita inclui Executivo e Legislativo interessados em fazer a coisa andar, empresariado consciente do seu papel no crescimento consciente e sustentável da cidade e centros de conhecimento que forneçam a mão de obra especializada para a viabilização dessas ideias. Além disso, uma sociedade que esteja disposta a participar e cobrar do pessoal acima o andamento dos projetos.
Até onde sei, temos, com certeza, centros de conhecimento capazes, mas não me parece ter visto o poder público, empresariado locais ou a população fazerem alguma coisa nesse sentido.
O pior é que nem eventos desse tipo são caros a ponto de não poderem ser realizados. Da mesma forma, grande parte das ideias que poderão decorrer daí não levariam a cidade à bancarrota. Pior ainda, custariam muito menos do que se gasta hoje com o processo irreversível de concretagem e asfaltamento do município.
Assim, por que um think tank sobre possíveis soluções para Ribeirão Preto não vai para a frente? Eu concordo que ser a capital do agronegócio pode ter as suas vantagens, mas por que não associar a imagem da cidade a algo que envolva inovação em projetos para o meio urbano? Algo que, em suma, resulte em melhoria da qualidade de vida de todos nós?
Cada vez mais acredito – e este blogue é a expressão viva dessa crença – que a qualidade de vida em uma cidade se consegue com pequenas soluções, rua a rua, bairro a bairro e não com projetos de grande impacto. E você, o que acha?

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