13 ago

Algumas boas ideias sobre ocupação de terrenos vazios

De todos os posts já publicados aqui (www.umacidade.com.br) este, com certeza, é um dos meus favoritos. Tem tudo o que este blogue prega: ideias simples, eficientes, de baixo custo e que podem fortalecer os laços entre uma comunidade, seja o grupo de moradores de uma rua, um bairro ou espaços maiores.
A ideia – neste caso, o conjunto de ideias – veio de Los Angeles, por meio do projeto LA Open Acres (blog.laopenacres.org), criado pelo Conselho Comunitário de Saúde local.
O site “… é uma ferramenta voltada para as comunidades, para os bairros, que visa transformar espaços vazios em locais vivos, saudáveis; acreditamos que todos devem ter a oportunidade de obter a sua dose diária de alimentação saudável, atividade física e de comunidade, não importa onde vivam. (…) O site vai servir, cada vez mais, como uma plataforma para as pessoas acessarem as ferramentas, recursos e informações atualizadas sobre terrenos vagos em sua vizinhança”.
O Open Acres tem várias ideias, já aplicadas em Los Angeles. Mas, a equipe de uma das ONGs locais mais atuantes, a LA-Más (mas.la) selecionou algumas, que são absurdamente fáceis de executar e extremamente úteis. Entre elas estão:

  • Acesso gratuito a redes sem fio: instaladas em uma determinada comunidade. O objetivo é democratizar o acesso de pessoas de baixa renda à Internet e a serviços básicos, como o envio de e-mails. Uma das estratégias inclui o compartilhamento, por vizinhos, de um mesmo ponto de acesso a rede sem fio;
  • Locais públicos para o conserto de bicicletas: é uma ideia importada de Cambridge (na região metropolitana de Boston). Cada estação custa US$ 1 mil (cerca de R$ 2,6 mil) e vem com uma bomba de encher os pneus e um conjunto de ferramentas para a realização de pequenos reparos. A sugestão do Open Acres é fazer com que o local surja de parcerias com a iniciativa privada, que teriam como contrapartida, a publicidade da marca patrocinadora;
  • Bibliotecazinhas: são pequenas caixas, pouco maiores do que as existentes nas residências americanas para o recebimento de correio, que no seu interior teriam livros, disponibilizados para quem quisesse lê-los; a cidade de São Paulo começou a usar essa ideia em pontos de ônibus e Santiago (Chile) tem um projeto fantástico (do qual iremos falar nas próximas semanas) instalado em estações de metrô;
  • Biblioteca de ferramentas: essa é uma das minhas favoritas, é o que o próprio nome diz: um local onde as pessoas podem pegar emprestadas ferramentas de todo o tipo para a realização de algum serviços que pretendam fazer;
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Biblioteca de ferramentas

  • Arte pública: utilização dos espaços vazios para funcionarem como grandes galerias para exposição de obras de arte (pinturas, esculturas etc.); a ideia é fazer com que essas obras de arte possam interagir com os visitantes;
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Exemplo de escultura interativa em espaços vazios

  • Cineminha fora de horas: é a utilização de espaços vazios ou degradados de um determinado bairro como locais para a realização de eventos de encontro daquela comunidade, em especial; uma das ideias criadas em Los Angeles chamou-se Bike-In Movies, onde as pessoas iam até esses locais de bicicleta para assistirem a filmes gratuitos.
  • Compostagem Comunitária: como o nome diz é a criação de espaços voltados, essencialmente, para a prática da compostagem; uma das ideias é fazer com que o processo possa se transformar em fonte de receitas, que seriam aplicadas em projetos na própria comunidade;
  • Recuperação do solo: essa ideia foi importada de Detroit, onde uma parceria da Universidade Estadual de Wayne e um time local de futebol americano está conseguindo descontaminar o solo de diversas áreas; um dos segredos é o uso de plantas específicas, como tomateiros e girassóis para remover substâncias perigosas e toxinas; ao mesmo tempo, um fórum público educacional também foi criado, com o objetivo de voltar a atenção dos visitantes para a história do site, como para a importância de processos como os adotados ali.

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