26 nov

Uso dos BRTs em cidades de médio e grande portes

TransMilenio_1Cerca de dez vezes mais baratos que os metrôs e entre três e seis vezes mais baratos que os Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) por quilômetro construído, os sistemas de Bus Rapid Transit (BRT) se tornaram a solução econômica e sustentável favorita para o transporte público de alta capacidade em cidades com mais de 500 mil habitantes de países emergentes. Nos últimos dez anos, a implementação de sistemas BRT no mundo quase quadruplicou, crescendo 383% entre 2004 e 2014. Foram 1.850 quilômetros de um total de 2.580, de acordo com um estudo divulgado esta semana pelo Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), endossado pela ONU-Habitat e a ClimateWorks Foundation.”

O resto do texto do jornalista Júlio Lamas está publicado no site Planeta Sustentável e pode ser acessado neste link: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/urbanidades/brts-quadruplicaram-nas-cidades-globais-e-rj-e-bh-tem-os-dois-melhores-sistemas-do-mundo-aponta-estudo/?utm_source=redesabril_psustentavel&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_psustentavel_urbanidades

23 nov

Como arte e galinhas podem transformar uma cidade: o caso de Kolenkit, em Amsterdam

La-ciudad-es-nuestra-39O texto abaixo é uma tradução (bastante livre) de um artigo de Ramón Zamora, publicado em 18 de novembro no blogue da Iniciativa de Cidades Emergentes e Sustentáveis do Banco Interamericano de Desenvolvimento. É um texto bastante claro sobre uma iniciativa de artistas e planejadores urbanos que está conseguindo recuperar uma área historicamente degradada da capital da Holanda.

O texto, na sua versão original, pode ser encontrado neste endereço: http://blogs.iadb.org/ciudadessostenibles/2014/11/18/cascoland-kolenkit/.

Ramón Zamora (@monzamora) é arquiteto, urbanista, fotógrafo e esta escrevendo o seu doutorado em Educação Ambiental a respeito de Mobilidade Sustentável em Cidades. cobrindo temas diversos, como competitividade, igualdade urbana, fortalecimento das comunidades e inclusão social. Desde abril de 2012 trabalha na Iniciativa de Ciudades Emergentes y Sostenibles del Banco Interamericano de Desarrollo en Washington.

Abaixo, segue o texto de Ramón Zamora.

“Kolenkit é um bairro de má reputação da cidade de Amesterdam. Foi construído há 60 anos e é conhecida por ser uma repetição de blocos habitacionais monótonos. 95% deles têm menos de 60 metros quadrados cada e são destinados para o setor de habitação social. Sete mil pessoas, a maior parte grandes famílias de imigrantes vivem lá.
Em 2004 foi apontada como sendo a parte menos popular da cidade, com todos os indicadores de habitabilidade em vermelho: desemprego alto, pobreza, delinquência juvenil e alta taxa de abandono escolar.
A fim de evitar a criação de guetos e melhorar a situação física, social e econômica do bairro, o Ministério da Educação, Cultura e Ciência e o governo municipal destinaram um orçamento para ser aplicado em investimentos sociais e renovação urbana.
Para a parte social foi realizado um concurso reunindo ideias para melhorar a habitabilidade. O vencedor seria premiado com a oportunidade e as condições operacionais para executar um plano piloto de oito meses – a partir de agosto de 2010 – durante o qual o projeto deveria provar o seu valor para o bairro.
O vencedor foi Cascoland, uma pequena organização de artistas, arquitetos e designers comunitários, que já haviam trabalhado na área por três anos como parte de um estudo da Universidade de Amesterdam sobre o papel das empresas culturais em bairros desfavorecidos.
O projeto se caracterizava por ser um processo aberto e participativo, com base no envolvimento da comunidade local. Fiona e Roel, fundadores da Cascoland, são os gestores de um processo cultural de iniciativas e idéias que dão sentido à comunidade local, auxiliando moradores para formar o seu próprio ambiente. Devido à natureza aberta da sua abordagem, o resultado ainda é incerto, pois depende das perguntas e as soluções propostas.
Uma vantagem desta estratégia é que ela promove a criatividade, além de promover o espírito empresarial, oferecendo incentivos para os proprietários para manter suas propriedades e apoiar o desenvolvimento sustentável e ambientalmente correto. Para melhor atender aos moradores locais e entender que os serviços ou atividades estão faltando, Cascoland começou a organizar jantares aberto com todos, para criar oportunidades para a troca de pontos de vista. De acordo com planejadores e políticos faltava a habitabilidade no bairro.
No entanto, essas trocas mostraram que a habitabilidade, em si, não era percebida como problemática pelos residentes. Graças ao conhecimento recolhido, Cascoland começou a desenvolver pequenas intervenções, criando novos significados, experiências, entendimentos, relacionamentos e situações.
As famílias locais, muitas provenientes de áreas rurais do Marrocos e da Turquia, desde o início manifestaram interesse em ter mais e melhores espaços para reuniões. Os esforços voltaram-se para a recuperação de um grande espaço vazio, que apesar de cercado, desfrutava de uma posição privilegiada no bairro, perto de lojas e calçadas.
O terreno pertencia ao município, que inicialmente relutou em torná-lo disponível. No entanto, Cascoland garantiu a natureza temporária e móvel do projeto, de modo que a Prefeitura finalmente decidiu ceder o terreno para a iniciativa.

As propostas dos moradores se traduziram em mais de vinte projetos concretos, desenvolvidos entre Cascoland e a comunidade local: áreas para churrascos, jardins móveis, pista de patinação para os mais jovens etc. Os vizinhos assumiram o compromisso de cuidar e gerir o espaço público onde estavam cada uma dessas intervenções.

O projeto dos galinheiros móveis, cuidados por várias famílias, foi tão bem sucedido que muitas outras áreas da cidade também começaram a mostrar interesse. Os integrantes da Cascoland viram isso como uma oportunidade para implementar um outro aspecto importante da sua abordagem: capacitar a comunidade.
Eles ajudaram outros bairros a obter a permissão necessária da Prefeitura para expandir o projeto de forma independente.
Em suma, o caso de Kolenkit é um bom exemplo de como prática artística e cultural, ligada à teoria urbana e espacial, não só pode responder rapidamente às necessidades sociais identificando problemas sociais menos visíveis pelas autoridades, mas também transformar a maneira de fazer urbanismo na cidade.

05 nov

Supermercado alemão abole as sacolas

As fundadoras do supermercado Original Unverpackt, Sara Wolf and Milena Glimbovski

As fundadoras do supermercado Original Unverpackt, Sara Wolf and Milena Glimbovski

A ideia das moças da foto ao lado funciona assim: você vai até o supermercado delas com o seu próprio recipiente (geralmente uma sacola daquelas de pano), ele é pesado, os funcionários do Berlim Original Unverpackt colocam-lhe uma etiqueta com o peso que esse recipiente tem e você sai para comprar. Quando chegar à caixa registradora, o peso das embalagens é descontado do peso total e você paga só o que está lá dentro. A etiqueta é projetada para sobreviver a algumas lavagens, para que você possa voltar e pular o processo de pesagem por um tempo.
A ideia de Sara e Milena foi alvo de uma reportagem do jornal inglês The Guadian. O resto dela (em inglês) pode ser acessada neste link: http://www.theguardian.com/sustainable-business/2014/sep/16/berlin-duo-supermarket-no-packaging-food-waste

Mas, além da ausência das sacolinhas de plástico, o Original Unverpackt  está assente em uma proposta distinta de venda de produtos: não há embalagens chamativas (todos os itens são embalados em algo bastante minimalista, para dizer o mínimo) e não há muitas opções de um mesmo produto. Como uma das donas disse, “aqui você não vai encontrar centenas de opções de loções para o corpo ou de azeite”.

É uma ideia interessante, mas não é nova. O texto do Guardian aponta outras duas propostas já existentes, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Boa leitura!

03 nov

Será que é mesmo biodegradável?

PlásticoO jornal inglês The Guardian publicou, na semana passada, um artigo a respeito da indústria do papel e plástico nos Estados Unidos, especialmente as que estão ligadas à produção de sacolas, como as que usamos diariamente nos supermercados. O texto está assente em diversas ações de fiscalização da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla original). Em 2010, o órgão baixou uma série de recomendações a respeito do tipo de informações que os fabricantes das tais sacolas deveriam repassar aos consumidores, principalmente sobre a sua biodegradabilidade.

Isso porque a FTC descobriu que algumas dessas informações nem sempre são verdadeiras ou são meias-verdades e não correspondem ao que é repassado ao consumidor. Na maior partes dos casos, o que se diz ser biodegradável, não é.

After launching detailed recommendations for environmental marketing in 2010, the FTC brought a raft of enforcement actions against plastic and paper companies last year, alleging deceptive marketing in the use of the term “biodegradable”. Last month, the FTC sent warning letters to 15 additional marketers, informing them that their claims “may be deceptive”. The FTC also requested “competent and reliable scientific evidence proving that their bags will biodegrade as advertised”. This time, the term of offense is “oxodegradable”, implying the bag will break down in time when exposed to oxygen.

Só essa informação já seria suficiente para deixar muita gente de cabelos em pé. Mas, tem mais? O texto mostrou que, mesmo advertidas sobre a existência de informações falsas nos seus produtos, as empresas de plástico e papel estão se lixando para isso.

O texto original do Guardian pode ser encontrado neste endereço: http://www.theguardian.com/sustainable-business/2014/oct/31/biodegradable-plastic-oxodegradable-bags-bioplastic-ftc-warning