23 nov

Como arte e galinhas podem transformar uma cidade: o caso de Kolenkit, em Amsterdam

La-ciudad-es-nuestra-39O texto abaixo é uma tradução (bastante livre) de um artigo de Ramón Zamora, publicado em 18 de novembro no blogue da Iniciativa de Cidades Emergentes e Sustentáveis do Banco Interamericano de Desenvolvimento. É um texto bastante claro sobre uma iniciativa de artistas e planejadores urbanos que está conseguindo recuperar uma área historicamente degradada da capital da Holanda.

O texto, na sua versão original, pode ser encontrado neste endereço: http://blogs.iadb.org/ciudadessostenibles/2014/11/18/cascoland-kolenkit/.

Ramón Zamora (@monzamora) é arquiteto, urbanista, fotógrafo e esta escrevendo o seu doutorado em Educação Ambiental a respeito de Mobilidade Sustentável em Cidades. cobrindo temas diversos, como competitividade, igualdade urbana, fortalecimento das comunidades e inclusão social. Desde abril de 2012 trabalha na Iniciativa de Ciudades Emergentes y Sostenibles del Banco Interamericano de Desarrollo en Washington.

Abaixo, segue o texto de Ramón Zamora.

“Kolenkit é um bairro de má reputação da cidade de Amesterdam. Foi construído há 60 anos e é conhecida por ser uma repetição de blocos habitacionais monótonos. 95% deles têm menos de 60 metros quadrados cada e são destinados para o setor de habitação social. Sete mil pessoas, a maior parte grandes famílias de imigrantes vivem lá.
Em 2004 foi apontada como sendo a parte menos popular da cidade, com todos os indicadores de habitabilidade em vermelho: desemprego alto, pobreza, delinquência juvenil e alta taxa de abandono escolar.
A fim de evitar a criação de guetos e melhorar a situação física, social e econômica do bairro, o Ministério da Educação, Cultura e Ciência e o governo municipal destinaram um orçamento para ser aplicado em investimentos sociais e renovação urbana.
Para a parte social foi realizado um concurso reunindo ideias para melhorar a habitabilidade. O vencedor seria premiado com a oportunidade e as condições operacionais para executar um plano piloto de oito meses – a partir de agosto de 2010 – durante o qual o projeto deveria provar o seu valor para o bairro.
O vencedor foi Cascoland, uma pequena organização de artistas, arquitetos e designers comunitários, que já haviam trabalhado na área por três anos como parte de um estudo da Universidade de Amesterdam sobre o papel das empresas culturais em bairros desfavorecidos.
O projeto se caracterizava por ser um processo aberto e participativo, com base no envolvimento da comunidade local. Fiona e Roel, fundadores da Cascoland, são os gestores de um processo cultural de iniciativas e idéias que dão sentido à comunidade local, auxiliando moradores para formar o seu próprio ambiente. Devido à natureza aberta da sua abordagem, o resultado ainda é incerto, pois depende das perguntas e as soluções propostas.
Uma vantagem desta estratégia é que ela promove a criatividade, além de promover o espírito empresarial, oferecendo incentivos para os proprietários para manter suas propriedades e apoiar o desenvolvimento sustentável e ambientalmente correto. Para melhor atender aos moradores locais e entender que os serviços ou atividades estão faltando, Cascoland começou a organizar jantares aberto com todos, para criar oportunidades para a troca de pontos de vista. De acordo com planejadores e políticos faltava a habitabilidade no bairro.
No entanto, essas trocas mostraram que a habitabilidade, em si, não era percebida como problemática pelos residentes. Graças ao conhecimento recolhido, Cascoland começou a desenvolver pequenas intervenções, criando novos significados, experiências, entendimentos, relacionamentos e situações.
As famílias locais, muitas provenientes de áreas rurais do Marrocos e da Turquia, desde o início manifestaram interesse em ter mais e melhores espaços para reuniões. Os esforços voltaram-se para a recuperação de um grande espaço vazio, que apesar de cercado, desfrutava de uma posição privilegiada no bairro, perto de lojas e calçadas.
O terreno pertencia ao município, que inicialmente relutou em torná-lo disponível. No entanto, Cascoland garantiu a natureza temporária e móvel do projeto, de modo que a Prefeitura finalmente decidiu ceder o terreno para a iniciativa.

As propostas dos moradores se traduziram em mais de vinte projetos concretos, desenvolvidos entre Cascoland e a comunidade local: áreas para churrascos, jardins móveis, pista de patinação para os mais jovens etc. Os vizinhos assumiram o compromisso de cuidar e gerir o espaço público onde estavam cada uma dessas intervenções.

O projeto dos galinheiros móveis, cuidados por várias famílias, foi tão bem sucedido que muitas outras áreas da cidade também começaram a mostrar interesse. Os integrantes da Cascoland viram isso como uma oportunidade para implementar um outro aspecto importante da sua abordagem: capacitar a comunidade.
Eles ajudaram outros bairros a obter a permissão necessária da Prefeitura para expandir o projeto de forma independente.
Em suma, o caso de Kolenkit é um bom exemplo de como prática artística e cultural, ligada à teoria urbana e espacial, não só pode responder rapidamente às necessidades sociais identificando problemas sociais menos visíveis pelas autoridades, mas também transformar a maneira de fazer urbanismo na cidade.

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