08 jan

Placemaking em testes na Europa

Screenshot do blog "Urbact", da União Européia

Screenshot do blog “Urbact”, da União Européia

“Placemaking” é um processo, que se baseia nas idéias, recursos e compromissos de uma comunidade local, para criar lugares que valoriza e com os quais se identifica. Uma vez iniciado, o processo se desenvolve com a comunidade criando e desenvolvendo os espaços onde fazem negócios, se divertem e interagem socialmente.
Com frequência, os atuais espaços públicos não atraem as pessoas e é preciso criar/aprender novas formas de desenvolvimento das comunidades locais  a partir de espaços desse tipo.
Da mesma forma, a legislação que regula os espaços públicos têm de ser modernizada e as normas, valores e suposições que estão por trás da criação desses espaços precisam ser desafiadas.
Há uma gama de diferentes abordagens para “placemaking”. Por exemplo :
– criação de novos espaços (hortas comunitárias);
– criação de espaços com usos provisórios (esporte, cultura, negócios);
– espaços de lazer e diversão (eventos, feiras, festivais, encontros);
O projeto “Placemaking Four Cities” (P4C) da Urbact (projeto da União Européia que promove o desenvolvimento urbano sustentável) está focado no envolvimento das comunidades e na capacitação dos cidadãos para assumir a liderança no processo de placemaking.
O processo de aprendizagem inclui duas etapas: a primeira é o estudo de abordagens contemporâneas atualmente desenvolvidas  no condado de Dun Laoghaire Rathdown, Irlanda, onde a comunidade local controla, há muito tempo, grande parte do poder de decisão no que se refere à coisa pública. Em uma segunda etapa, o projeto quer transferir essas práticas para as cidades de Albacete (Espanha), Eger (Hungria) e Pori (Finlândia). Isso já começou a acontecer a partir do segundo semestre de 2014.

O artigo completo pode ser encontrado neste endereço: http://www.blog.urbact.eu/2014/06/placemaking-kick-starting-a-social-process/

07 jan

Que ônibus passa aqui?

Que onibus

Detalhe do adesivo criado pelo coletivo “Shoot The Shit”, de Porto Alegre

 

Adesivo colado em ponto de ônibus, com anotações a caneta

Adesivo colado em ponto de ônibus, com anotações a caneta

Que onibus1

Usuário anota linha de ônibus que passa em determinada rua, em adesivo colado em poste

Há uns dois anos, um grupo de jovens de Porto Alegre deparou-se com um problema no transporte coletivo: grande parte das paradas de ônibus não tinham indicações sobre as linhas que passavam por aqueles locais.

Em conversas com outros usuários, descobriram que o problema era, realmente, um problema: se um passageiro se desviasse da sua rota costumeira e tivesse que utilizar outras linhas de ônibus que não as que usava frequentemente, inevitavelmente teria  dores de cabeça para saber que linhas passavam por aquele determinado ponto de ônibus.

O problema, claro, não era uma exclusividade de Porto Alegre, mas a solução que o grupo de jovens encontrou para a falta de informações foi brilhante, pela sua extrema simplicidade.

A ideia é bastante simples: em parceria com uma gráfica local, eles criaram um adesivo grande, que na sua parte superior tinha em destaque a figura de um ônibus e a frase “Que Ônibus Passa Aqui?” (veja imagens). O adesivo era colado em postes ou locais próximos ao ponto de ônibus e os usuários das linhas que passavam por aquele local, escreviam no adesivo os ônibus que passavam por ali.

A ideia deu tão certo que foi adotada pela Prefeitura de Porto Alegre. Em parceria com os jovens, foram impressos mais de mil adesivos que continuam a ser colados pelos postes da capital gaúcha, auxiliando os usuários do transporte coletivo. Hoje, outras cidades do país também adotam o adesivo.

Os jovens (foto) que criaram a ideia fazem parte do coletivo “Shoot de Shit”, que é uma gíria em inglês que significa, ao mesmo tempo, “jogar conversa fora” e “trocar idéias”. O coletivo tem página na Internet no seguinte endereço: http://www.shoottheshit.cc/.

Ali, podem ser encontrados mais detalhes sobre o “Que Ônibus Passa Aqui?” e outras ideias que os criadores do site têm para o meio urbano. Vale a pena dar uma olhada.

Como tive conhecimento disso? Graças a uma dica do jornalista Ângelo Davanço (https://www.facebook.com/profile.php?id=100008212864456&fref=ts)

05 jan

Como quantificar a corrupção em um país: o exemplo de uma ONG libanesa

O Kabseh estacionado em frente a um dos edifícios públicos libaneses.

O Kabseh estacionado em frente a um dos edifícios públicos libaneses.

Via  CityLab, (http://www.citylab.com/politics/2014/12/in-beirut-bringing-bribery-out-into-the-open/384048/). O texto, em inglês, chama-se “In Beirut, Bringing Bribery Out Into the Open – A new crowd-sourcing platform gives Lebanese their first means of quantifying a scourge that’s all around them”. Vale a pena ler o artigo completo, escrito por Nabila Rahhal. A tradução não é das melhores, mas uma parte dele segue abaixo.

 

“Há alguns meses atrás, um carro minúsculo carregando uma grande mensagem circulou por 26 cidades e vilas em todo o Líbano. O Smart estava coberto com imagens de uma carteira de motorista, um diploma, um pequeno martelo de madeira(semelhante aos utilizados por juízes ao anunciarem uma sentença) e, gravada em árabe, a inscrição “Dek kenet el balad” (“A loja da cidade onde tudo está à venda”).
Os motoristas desse carro estacionam na frente dos escritórios da administração pública, com o objetivo de lançar uma luz sobre a corrupção que atinge quase todas as transações do governo naquele país. O carro Kabseh (que significa “visita surpresa”) é resultado do trabalho de uma nova ONG, chamada Sakker el Dekkene (“Fechar a loja”).

Detalhe do aplicativo de smartphone criado pela ONG lbanesa para permitir aos cidadaos denunciar casos de suborno.

Detalhe do aplicativo de smartphone criado pela ONG libanesa para permitir aos cidadãos denunciar casos de suborno.

O seu objetivo não é apenas envergonhar burocratas, mas também coletar dados. Sakker el Dekkene lançou um aplicativo de smartphone, website e disponibilizou uma linha telefônica gratuita para que os cidadãos possam denunciar as vezes em que foram obrigados a pagar suborno para a realização de negócios com o governo. As pessoas que saíram de repartições públicas pararam no Kabseh para relatar 920 subornos, incluindo alguns que haviam pago momentos antes.
Esses mecanismos criados pela Sakker el Dekkene deram aos libaneses meios inéditos de quantificar um flagelo que está ao redor deles. Os cidadãos indicam a cidade onde o suborno aconteceu, em que escritório do governo isso aconteceu e o montante da propina.

“Os motoristas desse carro estacionam na frente dos escritórios da administração pública, com o objetivo de lançar uma luz sobre a corrupção que atinge quase todas as transações do governo naquele país. O carro Kabseh (que significa “visita surpresa”) é resultado do trabalho de uma nova ONG, chamada Sakker el Dekkene (“Fechar a loja”).”

Embora os dados estejam longe de ser abrangentes e difíceis de verificar – a maioria dos usuários optam por permanecer anônimos – os relatórios pintam um quadro sombrio: em seis meses, cerca de 1.550 relatórios foram arquivados, com o valor total de subornos pagos que alcançam a soma de US$ 1,4 milhão.
O objectivo da recolha de dados é iniciar um processo de de pressão vindo da opinião pública, que obrigue o governo a mudar. Em seu site, a ONG Sakker el Dekkene lista as agências mais famintas por subornos, as “campeãs da corrupção”: o Ministério do Interior atualmente recebe o “troféu” com 615 relatórios, seguido do ministério das Finanças e de prefeituras”.