05 jan

Como quantificar a corrupção em um país: o exemplo de uma ONG libanesa

O Kabseh estacionado em frente a um dos edifícios públicos libaneses.

O Kabseh estacionado em frente a um dos edifícios públicos libaneses.

Via  CityLab, (http://www.citylab.com/politics/2014/12/in-beirut-bringing-bribery-out-into-the-open/384048/). O texto, em inglês, chama-se “In Beirut, Bringing Bribery Out Into the Open – A new crowd-sourcing platform gives Lebanese their first means of quantifying a scourge that’s all around them”. Vale a pena ler o artigo completo, escrito por Nabila Rahhal. A tradução não é das melhores, mas uma parte dele segue abaixo.

 

“Há alguns meses atrás, um carro minúsculo carregando uma grande mensagem circulou por 26 cidades e vilas em todo o Líbano. O Smart estava coberto com imagens de uma carteira de motorista, um diploma, um pequeno martelo de madeira(semelhante aos utilizados por juízes ao anunciarem uma sentença) e, gravada em árabe, a inscrição “Dek kenet el balad” (“A loja da cidade onde tudo está à venda”).
Os motoristas desse carro estacionam na frente dos escritórios da administração pública, com o objetivo de lançar uma luz sobre a corrupção que atinge quase todas as transações do governo naquele país. O carro Kabseh (que significa “visita surpresa”) é resultado do trabalho de uma nova ONG, chamada Sakker el Dekkene (“Fechar a loja”).

Detalhe do aplicativo de smartphone criado pela ONG lbanesa para permitir aos cidadaos denunciar casos de suborno.

Detalhe do aplicativo de smartphone criado pela ONG libanesa para permitir aos cidadãos denunciar casos de suborno.

O seu objetivo não é apenas envergonhar burocratas, mas também coletar dados. Sakker el Dekkene lançou um aplicativo de smartphone, website e disponibilizou uma linha telefônica gratuita para que os cidadãos possam denunciar as vezes em que foram obrigados a pagar suborno para a realização de negócios com o governo. As pessoas que saíram de repartições públicas pararam no Kabseh para relatar 920 subornos, incluindo alguns que haviam pago momentos antes.
Esses mecanismos criados pela Sakker el Dekkene deram aos libaneses meios inéditos de quantificar um flagelo que está ao redor deles. Os cidadãos indicam a cidade onde o suborno aconteceu, em que escritório do governo isso aconteceu e o montante da propina.

“Os motoristas desse carro estacionam na frente dos escritórios da administração pública, com o objetivo de lançar uma luz sobre a corrupção que atinge quase todas as transações do governo naquele país. O carro Kabseh (que significa “visita surpresa”) é resultado do trabalho de uma nova ONG, chamada Sakker el Dekkene (“Fechar a loja”).”

Embora os dados estejam longe de ser abrangentes e difíceis de verificar – a maioria dos usuários optam por permanecer anônimos – os relatórios pintam um quadro sombrio: em seis meses, cerca de 1.550 relatórios foram arquivados, com o valor total de subornos pagos que alcançam a soma de US$ 1,4 milhão.
O objectivo da recolha de dados é iniciar um processo de de pressão vindo da opinião pública, que obrigue o governo a mudar. Em seu site, a ONG Sakker el Dekkene lista as agências mais famintas por subornos, as “campeãs da corrupção”: o Ministério do Interior atualmente recebe o “troféu” com 615 relatórios, seguido do ministério das Finanças e de prefeituras”.

 

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