26 ago

Mudar o mundo a partir das cidades – parte 2 de 5

urbanizacao

Na semana passada apresentamos aqui a primeira proposta para uma melhor gestão das cidades, presente no livro “Mudar o mundo a partir das cidades: a busca pela sociedade 4.0”, escrito pela jornalista, educadora e presidente do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais, Adriana Silva.

A ideia era usar formas institucionais já existentes, como as Regiões Administrativas, como locais privilegiados de discussões sobre para onde se quer levar uma cidade. Para isso, a proposta era criar conselhos dessas regiões.

A segunda ideia está ligada à primeira, de forma complementar: criar ou subdividir cidades de um milhão de habitantes, como forma de se otimizar os investimentos e garantir padrões mínimos de qualidade de vida. A proposta completa segue abaixo:

 

Ideia 2 de Rede de Cooperação – De um milhão em um milhão

 

aspas-cima

Ao estudar modelos de redes viáveis para o fim desejado neste livro, lembrei de uma ocasião em que trabalhava como assessora parlamentar, que em busca de ideias inovadoras para o município, pensava em sugerir ao vereador com quem eu trabalhava uma proposta de instalação de uma usina de lixo, com a transformação de resíduos e geração de energia. Já existiam unidades deste modelo em alguns locais do mundo e no Brasil.

aspas-baixo

 

Quando iniciei a busca por dados, o primeiro senão foi populacional. Uma usina neste modelo não era indicada para concentrações menores de um milhão de habitantes.

Foi avaliando questões geográficas e referenciais de gestão, que surgiu a ideia de formação de redes a partir do índice populacional. A proposta é criar redes de cooperação entre grupos de um milhão de habitantes e, em outros casos, a subdivisão de um município em doze, como é o caso da cidade de São Paulo, que tem 12 milhões de habitantes. Esta proporcionalidade surgiu como uma possibilidade apresentável, afinal seria necessária a criação de um único modelo de pacto, pensado a partir de todos os critérios, para grupos populacionais de um milhão de habitantes.

Pensando em termos de Brasil, a rede de cooperação gestora do pacto por um futuro feliz em busca da sociedade 4.0, seria composta por 203 unidades de rede, espalhadas por todo o país, considerando os dados de projeção do IBGE para 2014 (202.768.562 habitantes).

aspas-cima

Seria com base neste indicador de um milhão de habitantes que todas as propostas educacionais, de saúde, habitacional, de bem-estar, seriam concebidas. Este marco passaria a pautar metas políticas de todos os grupos de um milhão.

aspas-baixo

 

A primeira fragilidade exposta foi quanto à alteração deste número ao longo do tempo. Mas, neste caso, imediatamente desconsiderei o impasse estabelecendo que a marca de um milhão seria inicial para a criação das redes e que o acompanhamento quantitativo do crescimento seria demanda do pacto, estudar, entender e regular.

Cada rede de um milhão de habitantes seria composta a partir de suas especificidades, mas isto não significa, claro, engessamento. Nem seria possível. Significa, sobretudo, a criação de um grupo de representação no diálogo, um marco para estabelecer números de escolas, hospitais, médicos, tratamento de saneamento básico.

Não significa a criação de novos modelos de gestão política com a criação de outras lideranças para além de prefeitos e vereadores. Estas formações se manteriam, obviamente, as mesmas. A concepção de uma rede a cada um milhão de habitantes significa, em sua essência, uma proposta de mapeamento, uma disciplina de ação, uma formação de núcleos completos em todas as suas disciplinas, a fim de se tornarem multidisciplinares, só que menores, visto a partir de pequenas localidades, com pouco mais de 5 mil habitantes, por exemplo.

 

aspas-cima

O número um milhão não é aleatório. Ele representa uma dimensão quantitativa razoável para um projeto de governança. Não quer dizer que seja possível resolver problemas para grupos de um milhão, insolúveis para grupos maiores. A realidade exibe que cidades com números menores de cem mil habitantes apresentam tantos problemas quanto as metrópoles. É necessário pensar que o que está sendo proposto é a criação de redes, ou seja, tornar comum a muitos o que é problema de um.

aspas-baixo

 

Como pensar as cidades que apresentam população maior de um milhão e menor de dois milhões, como mostra a tabela abaixo?

 São Paulo  SP   11.821.876
Rio de Janeiro RJ  6.429.922
Salvador BA 2.883.672
Brasília DF 2.789.761
Fortaleza CE 2.551.805
Belo Horizonte MG 2.479.175
Manaus AM 1.982.179
Curitiba PR 1.848.943
Recife PE 1.599.514
Porto Alegre RS 1.467.823
Belém PA 1.425.923
Goiânia GO 1.393.579
Guarulhos SP 1.299.249
Campinas SP 1.144.862
São Luís MA 1.053.919
São Gonçalo RJ 1.025.507

 

 

 

 

 

Nesses casos que cidades com até 1.400.000 habitantes formariam uma só rede, como Goiânia, Guarulhos, Campinas, São Luiz e São Gonçalo. Cidades com mais de 1.400.000 habitantes teriam o seu total dividido em dois, por exemplo: em Belém, seriam formadas duas redes de 712 mil e assim por diante. Em Brasília, seriam três redes de 929 mil habitantes. A exatidão dos números não é uma meta.

Mas qual é a vantagem? Alguém pode perguntar. Trata-se de uma proposta de sistematização, o que não faz a divisão de um milhão um milhão de habitantes ser mais importante do que o conteúdo do pacto a ser estabelecido. Este conjunto de propostas, sim, é o cerne da questão. A formação da rede é um critério para o reconhecimento de forças iguais, cada uma com aproximados um milhão de habitantes; respeito pela diversidade; marcos facilmente da estabelecidos, definição de stakeholders.


 

Feedback O que você achou deste artigo? Mande a sua opinião para ideia@umacidade.com.br ou use o formulário de comentários abaixo. Obrigado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.