28 jul

O presídio e sua função social

Presidio

Ilustração: Fábio Fideles

Até que ponto a arquitetura pode dar uma contribuição importante em um processo mais amplo de recuperação e ressocialização de presos? A tentativa de responder a essa pergunta tornou-se o trabalho de conclusão de curso do então estudante de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda (Ribeirão Preto), Fábio Fideles, em 2013. O trabalho “O Presídio e sua Função Social” teve a orientação do professor Francisco Gimenes.

O fim do muro

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O trabalho de Fideles está assente em um princípio geral: as prisões devem ser espaços capazes de transformar criminosos em cidadãos, devolvendo-os ressocializados ao convívio fora dos muros da prisão. Ao propor uma arquitetura que em si abrigaria os indivíduos em dívida com a sociedade e, portanto extraídos de seu meio, busca-se fazê-lo de forma a criar condições para que este tenha chances de voltar ao convívio social como cidadão civilizado e, portanto, dotado de valores humanistas”.

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A principal referência visual da prisão, o muro, é abolida no projeto de Fábio Fideles, que propõe em seu lugar o fosso e a ponte. A criação de um espaço fortificado do qual o indivíduo não possa sair sem a devida autorização pode ser alcançada por meios diversos. Entendendo que a barreira física a limitar o espaço deverá interferir apenas no que diz respeito à mobilidade, não precisando portanto limitar a vista, a proposta considera a adoção do fosso como imitador ao invés do convencional muro. Ao considerar tal solução, os estudos volumétricos passaram a ser desenvolvidos com maior liberdade, considerando a oportunidade de explorar as vistas, dando ao interno a chance de estender seu alcance visual além dos limites do complexo. Tal resultado viabiliza-se também pela consideração dos avanços tecnológicos que disponibilizam uma série de recursos e sistemas para monitoramento e controle”.

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Assim, em lugar de um lugar fechado, um depósito de seres humanos, o objetivo é criar um espaço que, em essência, esteja mais ligado a uma escola do que a uma prisão. Além de salas de aula, o projeto prevê a criação de um espaço religioso, uma fábrica e espaços arborizados.

Realidade

O trabalho tem um ponto interessante: todo ele seria construído na mesma área onde hoje existem a Penitenciária Masculina de Ribeirão Preto e o Centro de Detenção Provisória, na rodovia Abrão Assed, entre Ribeirão Preto e Serrana.

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Em um determinado trecho da fundamentação teórica do projeto, há duas citações interessantes. A primeira, de Sandra Garbelni, aponta o problema: “A prisão não adveio de um projeto, mas de um surgimento fático que depois tentou se aperfeiçoar através do planejamento com ideias e regras”. A segunda, do professsor de Direito Penal, Júlio Fabbrini Mirabete, sugere uma das saídas. “A autêntica reforma penitenciária deve nascer a partir da reformulação da arquitetura prisional, uma vez que ela define a atmosfera com a qual o preso manterá contato. A planimetria da arquitetura reflete a realidade psicossocial de seus usuários, condiciona comportamentos, acolhe ou repele.”

Análise

Na minha opinião, o projeto de Fábio Fideles deve ser visto como é: uma proposta, um início de discussões sobre o que queremos fazer com os nossos presos e de que forma pretendemos devolvê-los à sociedade. Isso não é pouco, para um trabalho de conclusão de curso e, no mínimo, esse mérito deve ser garantido ao autor de “O Presídio e sua Função Social”.

Para quem tiver interesse em conhecer o trabalho completo (inclusive pontos que não foram abordados aqui), o projeto pode ser acessado no Issuu, em Fábio Fideles.

Entrevista com Fábio Fideles

De onde surgiu a ideia de desenvolver um projeto que visa tornar mais humano o cotidiano de presos?

Este resultado divide-se em dois momentos. Primeiro, a ideia de abordar este universo partiu da intenção de investigar as contribuições que a arquitetura teria a dar para resolução do problema; depois já diante do intricado contexto social econômico e humano é fácil concluir que a metodologia arcaica e ineficiente não responde às demandas contemporâneas, portanto um novo modelo pedagógico deve ser articulado, de maneira a considerar outras experiências já testadas e com bons resultados bem como deve ser norteado por valores humanistas visto que se pretende apresentar a estes indivíduos uma experiência de cidadania que de acordo com dados estatísticos ele não conhece,. Portanto mais do que uma punição a ideia central é um convite à cidadania.

No desenvolvimento da sua ideia, conversou com especialistas em segurança ou profissionais que pudessem municiá-lo com informações técnicas sobre as diversas partes de um presídio e os diversos graus de periculosidade dos detentos?

Tive contato direto com a pesquisadora Susan Cordeiro que é doutora em psicologia cognitiva e tem um sólido trabalho de pesquisa na área da arquitetura penal. Assim como também tive com diversos outros trabalhos e pesquisas, destaco o excelente trabalho do antropólogo Luiz Eduardo Soares que através de livros como “Justiça”, deu uma contribuição enorme ao trabalho. Porem é importante lembrar que este trabalho se pretende mais do que uma compilação de ideais um exercício de imaginação que considera os pensamentos e teorias contemporâneos.

Como funcionam exatamente os sistemas de fossos e diferenças de níveis como limitadores da mobilidade dos detentos?

Bom é importante lembrar que o objetivo do trabalho é propor ao interno uma experiência cívica, tão oposta quanto possível ao cotidiano dos presídios, portanto romper com os signos característicos seria uma estratégia importante, daí o esforço em eliminar o muro , o meio adotado para garantir que o interno não possa sair do espaço sem autorização foi justamente pensar na diferença de níveis e o fosso. Imagine uma pessoa no topo de um prédio sem acesso, ele tem uma bela vista mas está preso visto que não há como sair, o perímetro deste prédio é o limite, tentar sair seria suicídio, a diferencia de níveis entre o topo do prédio e o chão e a barreira física que impede a mobilidade sem afetar a visão .

Os diversos níveis de segurança prevêem, também, unidades isoladas em função da periculosidade dos detentos?

Sim o projeto prevê 3 níveis de segurança cada um com condições especificas, quanto menor o nível de periculosidade do interno, melhores são as condições para este. Assim como também unidades isoladas que deveriam ser usadas pontualmente.

Que pontos destacaria no seu projeto?

Diferente dos projetos convencionais que procuram “guardar” os internos, este reconhece o fato de que são seres humanos pensantes em constante transformação, entendendo que onde há um grupo, nasce uma cultura que pode ser positiva ou negativa. O projeto se desenvolve no sentido de viabilizar as melhores condições , é importante frisar que a arquitetura viabiliza, ampara dá condições, mas os bons resultados viriam de um grande esforço multidisciplinar.

Após apresentado, mostrou o projeto para alguma autoridade? Caso isso tenha acontecido, como foi a reação?

Não, o trabalho teve uma sobrevida graças a alguns eventos e diálogos como este, porém está restrito ao meio acadêmico.

Informações adicionais, que considere importantes para uma melhor compreensão do projeto.

O preso tem vontades e opiniões, assim como eu e você, não vai mudar sua conduta se não for convencido de que é melhor, o convencimento não vem com imposição, vem com diálogo e resultados . Este trabalho tem um forte caráter experimental, parece sensato tentar outras visas visto que insistir no modele atual é burrice, basta consultar os índices de reincidência que giram em torno de 70 % e garantem o titulo de escola do crime que a décadas rotula as instituições disciplinares, não é melhor trocar o errado pelo duvidoso ?

27 jul

Ideias de e para Ribeirão Preto

Logotipo

 

O site Uma Ideia de Cidade inicia hoje uma nova fase da sua existência. Até agora, procuramos divulgar ideias já prontas ou em vias de implantação em diversos locais do mundo, mas com uma especificidade: que elas, de alguma forma, pudessem ser implantadas em Ribeirão Preto.

Os critérios para a publicação dessas ideias são a originalidade e o fato de serem exequíveis, sobretudo financeiramente. Sobre eles, o princípio de que toda a ideia publicada, o projeto publicado aqui, deve ter um fim social. Ou seja, deve ter um impacto positivo sobre  a qualidade de vida dos moradores da cidade/região, em geral, ou de uma área, em especial.

Com o post de hoje, a essa ideia inicial junta-se outra, que justifica a própria criação do site: em um primeiro momento, tornar-se útil à comunidade onde está instalado (Ribeirão Preto), fornecendo ideias que, eventualmente, possam ser utilizadas. Em um segundo momento, procurar interferir na realidade da cidade, sobretudo sendo mais um espaço de discussões sobre ela.

Assim, a partir de hoje, uma vez por mês, vamos publicar projetos de urbanistas e últimos anistas dos cursos de Arquitetura e Urbanismo oferecidos pelas diversas instituições de ensino da cidade (Uniseb, Moura Lacerda, Unip, Barão de Mauá e Unaerp). O fato de o curso da Unaerp ser bastante recente , sem formando, criou uma brecha muito interessante, que é a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de projetos desde o seu início.

Até o momento já foram selecionados um pouco mais dez projetos, em diversas áreas, mas todos obedecendo às duas máximas do site: originalidade e exequibilidade. O próximo post vai destacar um projeto de Fábio Fideles, apresentado como conclusão de curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda, em 2013. A orientação foi feita pelo professor Francisco Gimenes.

Fábio desenvolveu um projeto chamado “O Presídio e sua Função Social”, que discute, de maneira MUITO interessante, o modo como a arquitetura pode ser utilizada em um processo mais amplo de ressocialização de presos. É o post de amanhã. Até lá.

20 jul

O sol na cozinha


O título deste texto foi usado pelas Nações Unidas para definir um projeto que está sendo desenvolvido no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, que é o sexto mais populoso do país e, também, o segundo mais rico. Foi ali que uma parceria do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP, na sigla em inglês) e o governo inglês deu origem a um projeto em uma instituição de caridade, a RK Mission, que usa energia solar para aquecer cerca de 3 mil refeições por dia para 650 crianças. O resultado é a redução da dependência do gás de cozinha pela instituição e, ao mesmo tempo, a economia de cerca de US$ 8 mil a cada ano.

O vídeo acima explica bem melhor como é o projeto. Neste endereço (http://www.in.undp.org/content/india/en/home/ourwork/environmentandenergy/videos/the-solar-bowl-/#), você pode acessar o site das Nações Unidas sobre o projeto e, também, o mesmo vídeo.

Será que essa não era uma boa ideia para Ribeirão Preto?

18 jul

Se você planeja cidades para automóveis e trânsito, você terá automóveis e trânsito

Uma praça localizada nas proximidades do MetroCable, em Medellín (Colômbia).

Uma praça localizada nas proximidades do MetroCable, em Medellín (Colômbia).

O site Project for Public Spaces é um bom ponto de partida para gestores municipais e, claro, integrantes do nosso Poder Legislativo. Em uma de suas últimas publicações, estão listadas DEZ estratégias para transformar as cidades e os espaços públicos através do uso de um conceito chamado Placemaking. A primeira delas é essa aí e também resume, de forma assustadoramente simples, o que é o conceito de Placemaking:

Placemaking is based on a simple principle: if you plan cities for cars and traffic, you will get cars and traffic. If you plan for people and places, you will get people and places. More traffic and greater road capacity are not the inevitable results of growth. They are products of very deliberate choices made to shape our communities to accommodate the private automobile. We have the ability to make different choices — starting with the decision to design our streets as comfortable and safe places for everyone — for pedestrians and bicyclists as well as drivers.

As outras nove estratégias podem ser encontradas neste endereço do Project for Public Spaces: http://www.pps.org/reference/ten-strategies-for-transforming-cities-through-placemaking-public-spaces/

16 jul

O que restos de pneus, granito e pedras-pomes têm a ver com a sua segurança e a saúde das árvores?

O trecho abaixo foi retirado do site “The Atlantic CityLab” e pode ser acessado no seguinte endereço: http://www.citylab.com/tech/2015/07/seattle-plants-street-trees-in-a-substance-made-of-car-tires/398693/?utm_source=SFTwitter.  O vídeo abaixo também pode ser acessado no mesmo endereço.


Na maior parte das vezes, proteger árvores que estão plantadas em calçadas de vias públicas pode ser uma tarefa ingrata. Por um lado, as chuvas acabam por retirar boa parte da camada vegetal de proteção e arrastam-na para as sarjetas. O tráfego pesado de pedestres também ajuda na compactação do solo, aumentado a impermeabilização e fazendo com que a saúde da planta fique afetada. Além do mais, cercar cada árvores com grades, como existe em alguns locais, pode ser algo bastante caro

A cidade norte-americana de Seattle, no entanto, acredita que pode ter encontrado uma forma bem interessante para resolver tudo isso, com o Flexi-Pave. Essa substância esquisita é feita de uma espécie de massa feita de pedriscos de granito e pneus reciclados. Os trabalhadores municipais espalham a mistura nos canteiros das árvores, a massa endurece e se torna um material permeável de características não muito distintas das da pedra-pomes.

O Departamento de Transportes está fazendo os primeiros testes em 13 árvores na região central da cidade. O material é fornecido gratuitamente por um fabricante da Flórida. Em uma nota de imprensa, o órgão da Prefeitura de Seattle diz que “esse material altamente poroso faz com que a água escoe rapidamente e, ao ser instalado, torna-se resistente (não consegue ser tirado do lugar) à ação de fatores externos, como a chuva ou os pedestres”.

Entre as vantagens destacadas pela cidade para o uso da Flexi-Pave está o fato de criar uma superfície segura e estável para os pedestres, contribui para a melhoria da saúde das plantas, a partir do instante em que, por ser poroso, permite a passagem de ar e água e, finalmente, praticamente não exige manutenção.

É isso. Tendo em vista os canteiros das nossas árvores em Ribeirão Preto e, sobretudo, as dificuldades de mobilidade que oferecem não apenas aos pedestres, mas para pessoas com mobilidade reduzida, talvez valesse a pena fazer uns testes por aqui também, não é verdade?

06 jul

Mobilidade em Ribeirão Preto

O cicloativista Renato Tatu, 36 anos, defende a adoção da bicicleta como meio de transporte no trânsito de Ribeirão

O cicloativista Renato Tatu, 36 anos, defende a adoção da bicicleta como meio de transporte no trânsito de Ribeirão

Um artigo do jornalista Cristiano Pavini, publicado domingo no jornal A Cidade aborda a questão da mobilidade em Ribeirão Preta, com ênfase no uso da bicicleta. O texto é muito interessante porque, além de apontar uma certa distância entre o que o Poder Público diz e o que efetivamente é feito, coloca, ainda, algumas questões importantes que têm de ser debatidas ao se abordar o assunto ciclovias. Amanhã, falamos sobre elas.
O texto pode ser acessado neste endereço: Mobilidade em Ribeirão Preto.

02 jul

Agenda Ribeirão 2015

Evento acontece nos dias 17 e 24 de julho e 7 de agosto, no auditório Meira Jr.

Dias 17 e 24 de julho e 7 de agosto, no auditório Meira Jr., no Theatro Pedro II.

No próximo dia 17, o jornal A Cidade, a rádio CBN , com o apoio da EPTV, voltam a realizar o Agenda Ribeirão, um evento anual formado por diversos temas e que se propõe a discutir os caminhos do município. A edição deste ano é formada pelos painéis Produzir, Viver e Morar, onde serão discutidos os seguintes temas: “Conjuntura Econômica, Crise e Capital Humano“, com o economista Eduardo Giannetti; “A Crise da Água e da Energia: Oportunidades no Caos“, com Vicente Andreu Guillo, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) e “A Violência e Seus Reflexos na Sociedade“, com o presidente do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques.

A página do Agenda Ribeirão 2015 pode ser acessada neste link: http://www.agendaribeirao.com/.

Se quiser se inscrever, o cadastro pode ser feito neste endereço: http://www.agendaribeirao.com/cadastro/Cadastro.aspx.

 

01 jul

O que pensa o novo presidente do Comur de Ribeirão Preto?


 

ENTREVISTA

João Theodoro Feres Sobrinho

Presidente do Conselho Municipal de Urbanismo de Ribeirão Preto

 

Presidente do Comur de Ribeirão Preto

Engenheiro civil  foi eleito no mês passado para a presidência do Comur de Ribeirão Preto

 

 

 

A primeira entrevista do Uma Ideia de Cidade é com o engenheiro civil João Theodoro Feres Sobrinho, de 51 anos. Neto de italianos, casado e com dois filhos, Feres Sobrinho foi eleito presidente do Conselho Municipal de Urbanismo de Ribeirão Preto (Comur) até 2017. Entre as décadas de 1990 e 2000 ocupou diversos cargos na Administração Pública municipal de Ribeirão Preto, incluindo as secretarias de Infraestrutura e de Planejamento. Desde 2007 atua no mercado imobiliário e, atualmente, faz parte da diretoria da regional de Ribeirão Preto do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). A seguir, a entrevista completa com João Theodoro.

 

Quais são os seus principais projetos à frente do Comur?

João Theodoro – ​Com o advento da eleição da nova direção do Conselho, a primeira reunião, ocorrida em 9 de junho foi pautada pela reflexão dos conselheiros presentes acerca do papel do Comur nas questões que envolvem o desenvolvimento urbano da cidade, sua interação com o Poder Público e as ações prioritárias a serem encaminhadas.

Em princípio a situação de pendência (não votação pela Câmara de Vereadores) do Plano Diretor, e da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo foram objeto de discussão entre os conselheiros, para aprofundamento nas próximas reuniões.​

​Esses e outros temas, todos ligados ao desenvolvimento da cidade, deverão ser objetos da atenção do Conselho.​

 

Quais são os desafios que visualiza para o Conselho?

JT – Conseguir influenciar os poderes constituídos para que produzam os resultados que a sociedade cobra, quanto às leis regulatórias do desenvolvimento urbano. O dinamismo da cidade e dos empreendedores exige que as leis sejam constantemente discutidas e atualizadas, e isso não vemos atualmente na cidade.​

 

Na sua opinião, qual deve ser o papel do Comur no processo de discussão das questões urbanas e sociais de Ribeirão Preto?

JT –Participação ativa em todas as oportunidades em que esses assuntos estiverem sendo discutidos, quer seja por entes públicos ou privados.​

“A relação com o Poder Executivo é sempre de cobrança. Para que se produzam as leis, normas e regulamentos necessários, bem como se melhorem os procedimentos internos para agilidade dos processos de licenciamento dos empreendimentos”.​”

 

Como pretende encaminhar a relação do conselho com o Executivo, razoavelmente conturbada nos últimos anos?

JT –​A relação com o Poder Executivo é sempre de cobrança. Para que se produzam as leis, normas e regulamentos necessários, bem como se melhorem os procedimentos internos para agilidade dos processos de licenciamento dos empreendimentos.​

 

De que forma pretende utilizar o site para publicitar decisões do conselho ou, eventualmente, usar o meio virtual para tornar mais fácil o acesso da sociedade ao Conselho?

JT –O site já foi atualizado e será permanentemente atualizado, para que todos os conselheiros, e toda a sociedade em geral, por meio dessa comunicação ágil e efetiva, tomem conhecimento das ações do Conselho.​

 

Hoje, qualquer pessoa pode assistir a reuniões do Comur?

JT –​Como ouvinte, sim. Como votante, somente se for conselheiro.​

 

Na sua visão, quais são, hoje, os principais problemas de Ribeirão Preto e os principais desafios?

JT –Problemas recorrentes de drenagem, infraestrutura envelhecida (principalmente redes de água e esgoto, além de pavimentos) em diversas regiões, trânsito dificultado pelo excesso de veículos e falta de consciência da população para o uso de transportes alternativos, legislação regulatória muito travada em alguns pontos e muito antiquada em outros, etc.

Quanto aos desafios, estabelecer parâmetros modernos para o desenvolvimento urbano, favorecer adensamento em regiões que já possuem infraestrutura, para evitar excessivo crescimento territorial com baixa densidade populacional, busca de recursos públicos e privados para recuperação e implantação de infraestrutura, etc. ​

 

A legislação municipal que abrange questões de desenvolvimento urbano, como o Plano Diretor ou as suas leis específicas, como a de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, têm sido elaboradas em meio a discussões sobre pressões do setor imobiliário. A seu ver, como é possível conciliar a necessidade de regular o crescimento ordenado com desenvolvimento?

JT –​A lei que estabelece as regras do desenvolvimento é aquela que promove essa conciliação e regulamentação do crescimento, e por isso é tão importante que seja discutida e constantemente atualizada, pelo dinamismo que a própria sociedade impõe, pelas demandas de moradia, trabalho e lazer.​

 

O senhor teme que a sua gestão à frente do Comur seja ofuscada pelo fato de integrar o Sinduscon?

JT –​Pelo contrário, creio que muito há para se contribuir nesse sentido, pois a participação constante do setor que produz, investe e cria novos rumos de desenvolvimento, nas discussões da legislação, do regramento e do planejamento urbano, podem definitivamente proporcionar que a cidade ganhe mais e melhores investimentos para o seu futuro. Acreditamos que nossa participação pode contribuir, e muito, para um cidade melhor.


 

 

O que você achou desta entrevista? Envie os seus comentários para ideia@umacidade.com.br

26 maio

O exemplo sul-coreano

O site Environment 360º, da universidade norte-americana de Yale, publicou recentemente um documentário em duas partes do diretor Karim Chrobog, vencedor de diversos trabalhos pelo mundo, entre eles o uso de crianças como soldados no Sudão. O documentário chama-se “The Big Waste” e o foco é o desperdício de alimentos e o impacto que causa nas grandes cidades. Um dos exemplos citados pelo diretor é a cidade de Seul, de cerca de dez milhões de habitantes na sua área metropolitana, e onde foi implantado um sistema high-tech de controle de desperdício de alimentos (veja vídeo acima).

Resumidamente, a experiência da Coréia do Sul está assente na instalação de pequenas lixeiras, de uso familiar, (sobretudo nos gigantescos conjuntos habitacionais) onde diariamente são jogados os restos de alimentos consumidos. A abertura e o fechamento da lixeira só podem ser feitos pelo uso de um cartão eletrônico, de uso restrito à família proprietária do equipamento. Uma vez no interior do depósito, o lixo é pesado e, se ultrapassar um determinado número, determinado pelas autoridades municipais, a família recebe uma multa.

Desde que começou a ser utilizado, o sistema já reduziu em cerca de 30% o desperdício de comida no país e, por consequência, o volume de alimentos encaminhados aos aterros locais. Os restos de alimentos são utilizados na produção de rações para animais, fertilizantes ou incinerados, dentro de um processo de geração de energia elétrica.

O site onde os dois vídeos estão publicados pode ser acessado neste endereço: Environment 360º.

03 maio

Brasil poderá ter painéis solares mais baratos

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“O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) deve aprovar a desoneração de tributos e contribuições incidentes sobre painéis geradores de energia solar. De acordo com o secretário de Mineração, Petróleo e Energias Renováveis do Estado do Piauí, Luís Coelho, o órgão deve baratear em até 60% o preço da produção de energia solar e, consequentemente, viabilizar investimentos na indústria.”

Essa notícia, publicada no portal E-Cycle (Portal E-Cycle) tem tudo para se tornar a mais importante do ano, quando o assunto envolve novas formas de energia. O texto completo pode ser encontrado neste endereço: Menos impostos para painéis solares.

Para se ter uma ideia de como o custo de produção afeta a instalação de painéis solares, apenas 403 residências têm esse tipo de equipamento instalado no Brasil.