30 ago

Mudar o mundo a partir das cidades – parte 3 de 5

Teoria U -2

Chegou a hora da terceira sugestão apresentada no livro “Mudar o mundo a partir das cidades: a busca pela sociedade 4.0, de Adriana Silva.

Na verdade, essa ideia é a quarta presente no livro. A terceira (que deveria estar neste post) tem a ver com o papel que as universidades podem representar no processo de criação de cidades melhores. No entanto, optei por inverter a ordem original das sugestões que estão no livro por causa de uma iniciativa do curso de Arquitetura e Urbanismo da Uniseb Ribeirão Preto, que tem ligação com a proposta apresentada por Adriana Silva na sua publicação.

Nesta proposta, a autora fala da relação entre uma cidade melhor e o empreendedorismo social. A sugestão segue abaixo. Boa leitura.

 

“Ideia 4 de Rede de Cooperação – Empreendedorismo social”

Em total consonância com as propostas apresentadas pela sociedade 4.0 (veja imagem acima), o fortalecimento do empreendedorismo social se apresenta como uma alternativa absolutamente viável para a formação de redes de cooperação, especialmente para a condução do pacto por um futuro feliz.

leiamais O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) tem uma definição bastante clara e elucidativa sobre o que são os negócios sociais. Ela pode ser acessada neste endereço: http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/sebraeaz/O-que-s%C3%A3o-neg%C3%B3cios-sociais

A iniciativa pode ser incentivada pelo governo de diversas maneiras e executada pela sociedade. Obviamente nenhuma liderança política fomentará opositores, mas as questões podem ser legalmente postas.

Por outro lado, o empreendedorismo social pode receber apoio de iniciativas privadas, já que ao propor um pacto, este segmento também está concebido como parte ou membro da pactuação.

Assim como hoje existem muitas iniciativas vinculadas ao empreendedorismo social que atuam na área educacional, ambiental, cultural, entre outras, poderiam ser especialmente criados projetos para condução de um pacto na dimensão do que segue descrito neste livro.


 

 

Feedback O que você achou deste artigo? Mande a sua opinião para ideia@umacidade.com.br ou use o formulário de comentários abaixo. Obrigado.

 

26 ago

Mudar o mundo a partir das cidades – parte 2 de 5

urbanizacao

Na semana passada apresentamos aqui a primeira proposta para uma melhor gestão das cidades, presente no livro “Mudar o mundo a partir das cidades: a busca pela sociedade 4.0”, escrito pela jornalista, educadora e presidente do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais, Adriana Silva.

A ideia era usar formas institucionais já existentes, como as Regiões Administrativas, como locais privilegiados de discussões sobre para onde se quer levar uma cidade. Para isso, a proposta era criar conselhos dessas regiões.

A segunda ideia está ligada à primeira, de forma complementar: criar ou subdividir cidades de um milhão de habitantes, como forma de se otimizar os investimentos e garantir padrões mínimos de qualidade de vida. A proposta completa segue abaixo:

 

Ideia 2 de Rede de Cooperação – De um milhão em um milhão

 

aspas-cima

Ao estudar modelos de redes viáveis para o fim desejado neste livro, lembrei de uma ocasião em que trabalhava como assessora parlamentar, que em busca de ideias inovadoras para o município, pensava em sugerir ao vereador com quem eu trabalhava uma proposta de instalação de uma usina de lixo, com a transformação de resíduos e geração de energia. Já existiam unidades deste modelo em alguns locais do mundo e no Brasil.

aspas-baixo

 

Quando iniciei a busca por dados, o primeiro senão foi populacional. Uma usina neste modelo não era indicada para concentrações menores de um milhão de habitantes.

Foi avaliando questões geográficas e referenciais de gestão, que surgiu a ideia de formação de redes a partir do índice populacional. A proposta é criar redes de cooperação entre grupos de um milhão de habitantes e, em outros casos, a subdivisão de um município em doze, como é o caso da cidade de São Paulo, que tem 12 milhões de habitantes. Esta proporcionalidade surgiu como uma possibilidade apresentável, afinal seria necessária a criação de um único modelo de pacto, pensado a partir de todos os critérios, para grupos populacionais de um milhão de habitantes.

Pensando em termos de Brasil, a rede de cooperação gestora do pacto por um futuro feliz em busca da sociedade 4.0, seria composta por 203 unidades de rede, espalhadas por todo o país, considerando os dados de projeção do IBGE para 2014 (202.768.562 habitantes).

aspas-cima

Seria com base neste indicador de um milhão de habitantes que todas as propostas educacionais, de saúde, habitacional, de bem-estar, seriam concebidas. Este marco passaria a pautar metas políticas de todos os grupos de um milhão.

aspas-baixo

 

A primeira fragilidade exposta foi quanto à alteração deste número ao longo do tempo. Mas, neste caso, imediatamente desconsiderei o impasse estabelecendo que a marca de um milhão seria inicial para a criação das redes e que o acompanhamento quantitativo do crescimento seria demanda do pacto, estudar, entender e regular.

Cada rede de um milhão de habitantes seria composta a partir de suas especificidades, mas isto não significa, claro, engessamento. Nem seria possível. Significa, sobretudo, a criação de um grupo de representação no diálogo, um marco para estabelecer números de escolas, hospitais, médicos, tratamento de saneamento básico.

Não significa a criação de novos modelos de gestão política com a criação de outras lideranças para além de prefeitos e vereadores. Estas formações se manteriam, obviamente, as mesmas. A concepção de uma rede a cada um milhão de habitantes significa, em sua essência, uma proposta de mapeamento, uma disciplina de ação, uma formação de núcleos completos em todas as suas disciplinas, a fim de se tornarem multidisciplinares, só que menores, visto a partir de pequenas localidades, com pouco mais de 5 mil habitantes, por exemplo.

 

aspas-cima

O número um milhão não é aleatório. Ele representa uma dimensão quantitativa razoável para um projeto de governança. Não quer dizer que seja possível resolver problemas para grupos de um milhão, insolúveis para grupos maiores. A realidade exibe que cidades com números menores de cem mil habitantes apresentam tantos problemas quanto as metrópoles. É necessário pensar que o que está sendo proposto é a criação de redes, ou seja, tornar comum a muitos o que é problema de um.

aspas-baixo

 

Como pensar as cidades que apresentam população maior de um milhão e menor de dois milhões, como mostra a tabela abaixo?

 São Paulo  SP   11.821.876
Rio de Janeiro RJ  6.429.922
Salvador BA 2.883.672
Brasília DF 2.789.761
Fortaleza CE 2.551.805
Belo Horizonte MG 2.479.175
Manaus AM 1.982.179
Curitiba PR 1.848.943
Recife PE 1.599.514
Porto Alegre RS 1.467.823
Belém PA 1.425.923
Goiânia GO 1.393.579
Guarulhos SP 1.299.249
Campinas SP 1.144.862
São Luís MA 1.053.919
São Gonçalo RJ 1.025.507

 

 

 

 

 

Nesses casos que cidades com até 1.400.000 habitantes formariam uma só rede, como Goiânia, Guarulhos, Campinas, São Luiz e São Gonçalo. Cidades com mais de 1.400.000 habitantes teriam o seu total dividido em dois, por exemplo: em Belém, seriam formadas duas redes de 712 mil e assim por diante. Em Brasília, seriam três redes de 929 mil habitantes. A exatidão dos números não é uma meta.

Mas qual é a vantagem? Alguém pode perguntar. Trata-se de uma proposta de sistematização, o que não faz a divisão de um milhão um milhão de habitantes ser mais importante do que o conteúdo do pacto a ser estabelecido. Este conjunto de propostas, sim, é o cerne da questão. A formação da rede é um critério para o reconhecimento de forças iguais, cada uma com aproximados um milhão de habitantes; respeito pela diversidade; marcos facilmente da estabelecidos, definição de stakeholders.


 

Feedback O que você achou deste artigo? Mande a sua opinião para ideia@umacidade.com.br ou use o formulário de comentários abaixo. Obrigado.
21 ago

Mudar o mundo a partir das cidades – Parte 1 de 5

 

IMG_20150821_113409

Esta semana, falamos sobre o livro “Mudar o mundo a partir das cidades: a busca pela sociedade 4.0”, escrito no ano passado pela jornalista e presidente do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais (Ipccic), Adriana Silva.

O objetivo geral do livro é apresentar a Teoria U, criada pelo economista norte-americano do MIT (Instituto de Tencologia de Massachusetts), Otto Scharmer.

leiamais  O site Ideia Sustentável publicou uma entrevista com Scharmer neste endereço: http://www.ideiasustentavel.com.br/2013/07/entrevista-especial-otto-scharmer/; no site Conhecer e Compartilhar, você pode ter acesso a uma resenha do livro Teoria U. Você pode conhecer mais sobre o autor no seu site: http://www.ottoscharmer.com/. Depois de olhar tudo isso, dê uma olha no site do Presencing Institute, o foco irradiador da teoria pelo mundo.

 

Uma das coisas interessantes do livro de Adriana Silva é a apresentação de algumas propostas de redes de cooperação no processo de gestão das cidades. Um dos méritos do livro e, neste caso específico, da autora, é a simplicidade dessas propostas. Grande parte das soluções já existem, as suas formas já estão presentes de forma legal. No entanto, as sugestões dadas para que se aprimorem os conteúdos chegam a ser inovadoras.

É o caso, por exemplo, da última delas que vamos apresentar, que está assente na ampliação do processo de participação da sociedade na elaboração de um “programa de governo” para a cidade, que passaria a ter um “prazo de validade” (no caso sugerido, 20 anos). Além disso, com uma alteração significativa: os programas de governo dos candidatos teria que se adequar a esse “programão” de governo.

São, na minha opinião, pontos de partida excepcionais para que possamos discutir hoje o tipo de cidade que pretendemos ter nas próximas décadas.

Abaixo, segue a primeira dessas sugestões.

 

Ideia 1 de Rede de Cooperação – Região Administrativa

“A primeira proposta parte de uma realidade já organizada. Quando o Ipccic precisou conceber a união de grupo de cidades para um projeto específico, a divisão administrativa já operacionalizada pelo Estado não servia, dadas as especificações desejadas. No entanto, para a viabilização de um pacto por um futuro feliz, esta poderia ser a base inicial.

aspas-cima

Os governos dos estados poderiam estabelecer a criação de um conselho comum a todas as cidades compreendidas pelas regiões administrativas já demarcadas e a este conselho caberia conduzir a pactuação.

aspas-baixo

 

A exigência da criação de um conselho como este poderia ser legalmente estabelecida pelo ente federativo, levando todo o país a ter, representando cada região administrativa, seu próprio conselho de pactuação de um futuro feliz. Todos os conselhos de um estado e de todos os estados poderiam ter uma agenda comum e, assim, o movimento ondulatório se estabeleceria.”


 

Feedback O que você achou deste artigo? Mande a sua opinião para ideia@umacidade.com.br ou use o formulário de comentários abaixo. Obrigado.
01 jul

O que pensa o novo presidente do Comur de Ribeirão Preto?


 

ENTREVISTA

João Theodoro Feres Sobrinho

Presidente do Conselho Municipal de Urbanismo de Ribeirão Preto

 

Presidente do Comur de Ribeirão Preto

Engenheiro civil  foi eleito no mês passado para a presidência do Comur de Ribeirão Preto

 

 

 

A primeira entrevista do Uma Ideia de Cidade é com o engenheiro civil João Theodoro Feres Sobrinho, de 51 anos. Neto de italianos, casado e com dois filhos, Feres Sobrinho foi eleito presidente do Conselho Municipal de Urbanismo de Ribeirão Preto (Comur) até 2017. Entre as décadas de 1990 e 2000 ocupou diversos cargos na Administração Pública municipal de Ribeirão Preto, incluindo as secretarias de Infraestrutura e de Planejamento. Desde 2007 atua no mercado imobiliário e, atualmente, faz parte da diretoria da regional de Ribeirão Preto do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). A seguir, a entrevista completa com João Theodoro.

 

Quais são os seus principais projetos à frente do Comur?

João Theodoro – ​Com o advento da eleição da nova direção do Conselho, a primeira reunião, ocorrida em 9 de junho foi pautada pela reflexão dos conselheiros presentes acerca do papel do Comur nas questões que envolvem o desenvolvimento urbano da cidade, sua interação com o Poder Público e as ações prioritárias a serem encaminhadas.

Em princípio a situação de pendência (não votação pela Câmara de Vereadores) do Plano Diretor, e da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo foram objeto de discussão entre os conselheiros, para aprofundamento nas próximas reuniões.​

​Esses e outros temas, todos ligados ao desenvolvimento da cidade, deverão ser objetos da atenção do Conselho.​

 

Quais são os desafios que visualiza para o Conselho?

JT – Conseguir influenciar os poderes constituídos para que produzam os resultados que a sociedade cobra, quanto às leis regulatórias do desenvolvimento urbano. O dinamismo da cidade e dos empreendedores exige que as leis sejam constantemente discutidas e atualizadas, e isso não vemos atualmente na cidade.​

 

Na sua opinião, qual deve ser o papel do Comur no processo de discussão das questões urbanas e sociais de Ribeirão Preto?

JT –Participação ativa em todas as oportunidades em que esses assuntos estiverem sendo discutidos, quer seja por entes públicos ou privados.​

“A relação com o Poder Executivo é sempre de cobrança. Para que se produzam as leis, normas e regulamentos necessários, bem como se melhorem os procedimentos internos para agilidade dos processos de licenciamento dos empreendimentos”.​”

 

Como pretende encaminhar a relação do conselho com o Executivo, razoavelmente conturbada nos últimos anos?

JT –​A relação com o Poder Executivo é sempre de cobrança. Para que se produzam as leis, normas e regulamentos necessários, bem como se melhorem os procedimentos internos para agilidade dos processos de licenciamento dos empreendimentos.​

 

De que forma pretende utilizar o site para publicitar decisões do conselho ou, eventualmente, usar o meio virtual para tornar mais fácil o acesso da sociedade ao Conselho?

JT –O site já foi atualizado e será permanentemente atualizado, para que todos os conselheiros, e toda a sociedade em geral, por meio dessa comunicação ágil e efetiva, tomem conhecimento das ações do Conselho.​

 

Hoje, qualquer pessoa pode assistir a reuniões do Comur?

JT –​Como ouvinte, sim. Como votante, somente se for conselheiro.​

 

Na sua visão, quais são, hoje, os principais problemas de Ribeirão Preto e os principais desafios?

JT –Problemas recorrentes de drenagem, infraestrutura envelhecida (principalmente redes de água e esgoto, além de pavimentos) em diversas regiões, trânsito dificultado pelo excesso de veículos e falta de consciência da população para o uso de transportes alternativos, legislação regulatória muito travada em alguns pontos e muito antiquada em outros, etc.

Quanto aos desafios, estabelecer parâmetros modernos para o desenvolvimento urbano, favorecer adensamento em regiões que já possuem infraestrutura, para evitar excessivo crescimento territorial com baixa densidade populacional, busca de recursos públicos e privados para recuperação e implantação de infraestrutura, etc. ​

 

A legislação municipal que abrange questões de desenvolvimento urbano, como o Plano Diretor ou as suas leis específicas, como a de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, têm sido elaboradas em meio a discussões sobre pressões do setor imobiliário. A seu ver, como é possível conciliar a necessidade de regular o crescimento ordenado com desenvolvimento?

JT –​A lei que estabelece as regras do desenvolvimento é aquela que promove essa conciliação e regulamentação do crescimento, e por isso é tão importante que seja discutida e constantemente atualizada, pelo dinamismo que a própria sociedade impõe, pelas demandas de moradia, trabalho e lazer.​

 

O senhor teme que a sua gestão à frente do Comur seja ofuscada pelo fato de integrar o Sinduscon?

JT –​Pelo contrário, creio que muito há para se contribuir nesse sentido, pois a participação constante do setor que produz, investe e cria novos rumos de desenvolvimento, nas discussões da legislação, do regramento e do planejamento urbano, podem definitivamente proporcionar que a cidade ganhe mais e melhores investimentos para o seu futuro. Acreditamos que nossa participação pode contribuir, e muito, para um cidade melhor.


 

 

O que você achou desta entrevista? Envie os seus comentários para ideia@umacidade.com.br

17 jan

TED Laçador: entrevista com Enrique Avogadro

Enrique Avogadro se dedica a promover o design e as indústrias criativas na cidade de Buenos Aires e, em seu tempo livre, gosta de pensar sobre as cidades criativas como um meio para melhorar a vida das pessoas. É diretor geral de Indústrias Criativas e Comércio Exterior no governo da cidade de Buenos Aires. Também é diretor do Centro Metropolitano de Design. Licenciado em Estudos Internacionais, mestre em Administração e Políticas Públicas (tese em elaboração), está cursando mestrado em Gestão de Conteúdos. Mantém o blog tradeandme.blogspot.com e seu twitter é @eavogadro.

12 jan

Ideias para a ocupação dos vazios urbanos

LaCiudadViva-01

O site andaluz La Ciudad Viva traz uma discussão interessante – e excessivamente teórica, também –  sobre a importância da ocupação dos vazios urbanos e a utilização desses espaços como formas de integração da cidade. A ideia está presente neste texto. O artigo está assente na ideia da apropriação comum desses espaços, o que leva a discussões interessantes que chegam até à alteração do próprio conceito de propriedade.

Apesar de ser um texto razoavelmente áspero para quem não é da área ou, no mínimo, não tem formação em ciências humanas, o artigo vai citando alguns exemplos onde alguns espaços vazios se transformaram, sobretudo, em focos privilegiados de produção de ideias. Entre os exemplos apresentados está o da STPLN (Malmo/Suécia), que pode ser descrito como um playground para adultos. O site pode ser encontrado aqui, mas está em sueco.