21 jun

Do que Ribeirão Preto precisa para se tornar uma cidade criativa e qual o papel da cultura nesse processo?

Skyline-Shapes-BackgroundsNo início de junho, Ribeirão Preto realizou mais uma edição, a terceira, dos seminário Agenda Ribeirão 2016. O evento é promovido pela OA Eventos e realizada pelo jornal A Cidade, rádio CBN, com o apoio da EPTV. O objetivo é discutir os principais problemas da cidade e, lógico, apresentar algumas ideias que possam ser aplicadas. Este ano, o tema sugerido foi “Cidades Criativas, Cidadania Ativa”, com a apresentação da palestra de um craque no assunto, a economista e urbanista Ana Carla Fonseca.

Na semana que antecedeu o seminário, o jornal realizou uma série de matérias a respeito do tema, todas inseridas no hotsite do Agenda Ribeirão 2016. Entre elas, uma entrevista bem interessante com Ana Carla.

Outro desses textos tinha por objetivo saber de arquitetos, engenheiros e urbanistas, do que Ribeirão Preto precisava para se tornar uma cidade criativa ou, pelo menos, começar a criar as condições para se tornar uma.

Entre os entrevistados com quem falei, esteve a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unip de Ribeirão Preto, Carolina Margarido. O que ela me disse virou um artigo, enviado por e-mail, que publico abaixo. Nesse texto, Carolina apresenta uma bem-vinda visão crítica a respeito do conceito de cidades criativas. Achei um texto surpreendente, para dizer a verdade, que nos faz sentir incomodados, mas de uma forma boa, de nos fazer pensar em outros lados de uma ideia que promete muito (em todos os sentidos). Espero que gostem.

 

Ribeirão Preto e a cidade criativa

por Carolina Margarido

 
“Primeiramente, os governantes da cidade de Ribeirão Preto, em conjunto com a população, precisariam desenvolver um Projeto de Cidade, entendido como a cidade que se quer para o futuro. Isso obviamente considerando interesses coletivos, e não apenas aqueles que representam a ânsia de um pequeno grupo, com interesses específicos. Qual seria a imagem desta cidade que se deseja desenvolver, para a coletividade? Obviamente não podemos imaginar uma cidade completamente nova, a ser construída a partir de uma tabula rasa. Para além das especificidades geográficas e características próprias, há toda a questão histórica e as relações materiais e imateriais que delas surgiram.

Há uma infinidade de forças que devem ser detectadas e explicitadas, para que sejam rompidas ou potencializadas a partir desta imagem de cidade que a qual a coletividade busca como ideal. Partindo desta questão primordial, a difusão da economia monetária jamais poderia ser novamente colocada em uma situação de importância que se sobrepõe à necessidade do homem cuidar de si e do meio em que vive, e que fez no com que, até o momento, os espaços criados estivessem voltados aos princípios ordenadores da racionalidade capitalista. Isso porque está claro que a cidade que vimos surgir em consonância com esta postura passou a determinar os tipos e as qualidades das relações que nela se desenvolvem afetando, de forma indissolúvel, a subjetividade dos seus habitantes.

Daí surge a questão cultural: a cultura é algo diretamente ligado à subjetividade dos habitantes de uma cidade, surgindo com a cidade, a partir da tessitura destas diversas e diversificadas relações que dependem do movimento, do pertencimento, da ação e do pensamento. Não há, portanto, um papel específico da cultura pois ela não é um instrumento, não é uma ferramenta e não é algo a ser utilizado para determinado fim.

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Se a cultura desenvolvida em uma cidade não obtiver os meios necessários para seu próprio e independente crescimento e fluxo, a cidade torna-se apenas mais um exemplar de um mesmo modelo de cidade, que é o que mais observamos acontecer quando se estabelece metas para a cultura, ou quando se monetariza a cultura visando fins lucrativos específicos, ou captações com viés mercadológicos, mesmo que se diga que o objetivo final é a construção de uma cidade mais “bela e segura” para todos.

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Isso quer dizer, no fim, que a cidade criativa não pode estar embasada unicamente em desenvolver uma ‘economia criativa’, sendo esta vista como um tipo de economia que usa dos saberes e práticas exclusivas de uma localidade para geração de mais renda. Pode-se arriscar a dizer, inclusive, que esta forma de pensar a cidade e seus saberes específicos [a cidade gerida como uma empresa] corre o risco de ser transportada também para as Políticas Públicas da área da Cultura, ou ainda que a mesma agora serve aos seus princípios na construção daquela cidade adequada à fase de acumulação flexível do capital, gerando consensos e sensações de participação e respeito à diversidade, enquanto que o que se constrói são cidades cada vez mais excludentes, generalizadamente gentrificadas e que utilizam todos os seus espaços, símbolos, memórias, histórias e a própria diversidade cultural, agora valorizada, a favor de um só objetivo: gerar mais capital. E tudo isso com o apoio do poder público.
Coloca-se como observação o fato de nunca ter havido tantos programas públicos de incentivo à ação e à produção cultural, à preservação do patrimônio e da história, à diversidade e aos ‘saberes’, ao crescimento e ao desenvolvimento físico das cidades como agora e, concomitantemente, um aumento significativo da violência urbana em Ribeirão Preto.  Não coincidentemente esta atinge, especialmente, os jovens que, obviamente, sentem-se excluídos, deslocados e sem espaços de atuação, visto que não possuem ainda – na maioria das vezes – o poder de consumo necessário à sua participação em uma sociedade para a qual o cidadão é, antes de tudo, um consumidor da cidade e dos produtos dela derivados.
O objetivo maior das práticas capitalistas adotadas em relação à cidade contemporânea e sua esfera pública não é, enfim, a restituição de uma dimensão cívica à cidade, nem tampouco do indivíduo. A cultura ou “culturalização”, segundo a famosa filósofa brasileira Otília Arantes, tornou-se o objetivo principal e ingrediente indispensável da governabilidade e direcionamento dos gastos públicos; é através dela que as pessoas terão a sensação de estarem vivendo num mundo que dá vazão à participação e à democracia, um mundo que “respeita”, que minimiza os conflitos e elimina as disputas, mas valoriza e incentiva a diversidade, as manifestações culturais, o esporte, a história, a memória. Afinal, este é o papel convenientemente atribuído aos museus e centros culturais, aos shoppings e suas salas de cinema, lojas e supermercados, à televisão, ao computador e ao telefone.
Além disso, a adesão das Políticas Públicas na área da Cultura a este é vista também como forte indício de que não só a cidade, mas a cultura como um todo, encontra-se autonomizada e instrumentalizada à serviço desta ação de venda, através da elaboração metodológica de insumos para a criação de um ambiente urbano e cultural socialmente favorável à construção de ideias consensuais e unânimes sobre a identidade da cidade no passado, presente e futuro. Afinal, o consenso é extremamente necessário ao funcionamento deste grande empreendimento, a cidade.

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Um projeto de cidade que se liga à imagem de outra cidade, como foi o caso do intitulado Ribeirão Preto 2001 – Ação Estratégica para o Desenvolvimento, do primeiro governo de Antônio  Palocci Filho [1996], e que teve em Atlanta [EUA] um espelho para o desenvolvimento de Ribeirão Preto, por exemplo, mostra-se muito prejudicial pois, mesmo que explicado e justificado através de uma retórica discursiva, é fruto de uma ideologia construída por e para uma elite real e determinada: aquela que deseja um desenvolvimento econômico a qualquer custo, abrindo mão de qualquer controle social sobre o capital – nitidamente excedente na cidade.

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A ideologia da cidade criativa e do desenvolvimento cultural não pode, resumidamente, a meu ver, estar direcionada para aquela parte da população econômica e geograficamente menos favorecida, para que esta se sinta parte de algo, enquanto o restante das Políticas Públicas visa exatamente igualar um ‘pedaço eleito’ da cidade àquelas cidades-modelo da economia nacional ou mesmo global, deixando todo o restante à margem deste processo. Vimos, em Ribeirão Preto, a segregação espacial que este tipo de imagem de cidade causou, e continua causando.

Apenas se pensada a cidade como um todo único, com um sistema de transporte coletivo eficaz e acessível [como por exemplo os famosos veículos leves sob trilhos e as ciclovias] permitindo que todos tenham direito a todos os espaços e equipamentos coletivos da cidade, com o desenvolvimento de espaços públicos de qualidade e, consequentemente, com menor segregação espacial, a cidade tem chances de potencializar sua criatividade e cultura, intrinsecamente ligadas. Isso sem citar, obviamente, a sustentabilidade, reversibilidade e flexibilidade de todo esse processo que determina tamanho desenvolvimento.

Precisamos, enfim, construir uma ideia de cidade que contemple todos estes aspectos, e que se relacione a tudo o que Ribeirão Preto já alcançou, em termos culturais, no passado, presente e futuro. Isso seria uma cidade criativa.”

07 jun

Viver em áreas pobres muda tudo na sua vida

Poor Neighborhoods

Esta semana, o portal de notícias Vox publicou um texto perturbador do jornalista Alvin Chang, a respeito das consequências da aplicação de políticas segregacionistas de habitação nos Estados Unidos. O título é o mesmo deste post. O mais interessante é que, apesar de um tema de difícil degustação, ele consegue tornar a compreensão muito mais fácil ao recorrer a uma série de infográficos bem didáticos. Isso, de certa forma, atenua o conteúdo, que é bastante assustador.
De qualquer forma, vale muito a pena dar uma lida no (longo) artigo de Chan e ver que existem algumas similaridades com a nossa realidade. O início do texto segue abaixo. O resto, pode ser encontrado aqui.

“In 1940, a white developer wanted to build a neighborhood in Detroit.
So he asked the US Federal Housing Administration to back a loan. The FHA, which was created just six years earlier to help middle-class families buy homes, said no because the development was too close to an “inharmonious” racial group.
Meaning black people.
It wasn’t surprising. The housing administration refused to back loans to black people — and even people who lived around black people. FHA said it was too risky.
So the next year, this white developer had an idea: What if he built a 6-foot-tall, half-mile-long wall between the black neighborhood and his planned neighborhood? Is that enough separation to mitigate risk and get his loan?”

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We often talk about increasing wealth inequality, with the rich getting richer and poor getting poorer. That’s certainly a problem, but something we should be even more concerned about is what is happening to our neighborhoods. There are now more extremely poor neighborhoods and more extremely rich neighborhoods.

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07 jun

Começando de novo

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Existe uma palavra deliciosa, em inglês, chamada ‘technicality’. É um termo que significa, a grosso modo, um pequeno detalhe que, quando ocorre, provoca estragos interessantes. Pois bem, por causa de uma tecnicalidade, o site Uma Ideia de Cidade ficou fora do ar por dois dias, causando uma óbvia e inevitável comoção mundial.

Não contente, essa tal tecnicalidade provocou, também, a perda de todos os posts publicados entre setembro do ano passado e este mês. Foram um bocado de texto e horas de trabalho para o lixo. Então, minhas desculpas a quem acessar o site e perceber que o último post é de setembro do ano passado. Dentro do possível, vou tentar repor alguns e, claro, descobrir se é possível fazer um backup disso tudo para que da próxima vez, as coisas sejam mais fáceis.

02 set

Uma nova forma de economia

People on street

Foto: David Marcu

Uma das leituras obrigatórias que tenho no Uma Ideia de Cidade é o Guardian Sustainable Business. Esse portal do jornal inglês, como o nome diz, está relacionado com discussões e ideias em torno do tema da sustentabilidade e, claro, da busca por melhor qualidade de vida nas nossas cidades.
Há, mais ou menos, uns dois meses, marquei para ler com mais calma um artigo chamado “Less material consumption is not the end for business“, que falava sobre como a facilidade de acesso a bens materiais nos últimos 50 anos não tinha transformado para melhor as nossas vidas.
Ok, admito que a afirmação está sujeita a discussões. Mas, o que o texto apresenta é a necessidade de se encarar de modo diferente a produção de bens e serviços.
Em um determinado trecho, o autor, Jules Pretty, afirma que “os custos das doenças causadas pelo estilo de vida moderno são estarrecedores. Nós calculamos que sete condições – doenças mentais, demência, obesidade, inatividade física, diabetes, solidão e doenças cardiovasculares – custam ao serviço público de saúde britânico cerca de 60 bilhões de libras por ano (R$ 338 bi) e cerca de 180 bilhões (R$ 1 trilhão) na economia inglesa, em geral”.
Trecho do artigo original

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In all big transitions, there are losers as well as winners. Leadership in governments will also be essential. What is abundantly clear is that great reserves of expenditure await unlocking and redirecting. Less material consumption is not the end for business, it is the beginning of a new world. Business as usual is not an option. The world economy cannot survive as it is currently configured, around high material consumption and negative impacts on natural capital and health. We may be seeing signals from the future already. First or early movers have an advantage, but this needs courage to think and act differently. Disruptor technologies and ideas can change whole categories and sectors, perhaps even the world economy. Much is just waiting to be discovered and invented.

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O autor argumenta que grande parte desses custos são evitáveis e, mais do que isso, a possibilidade de mudança oferece uma grande oportunidade para os negócios. A questão é que, para isso, será necessária uma nova forma de pensar.
Essa nova maneira de se ver as coisas passa por duas prioridades, que Pretty sugere para o setor empresarial: a primeira é identificar ações que melhorem o bem-estar e a saúde da força de trabalho; a outra é identificar novos bens e serviços que elas (as empresas) poderiam desenvolver, de modo a tornar as economias mais verdes e saudáveis.
Em síntese, esse é um resumo grosseiro do texto do Guardian Sustainable Business. Vale a pena ler o artigo original (que segue abaixo), sobretudo para se conhecer, de forma mais detalhada, as ideias sugeridas. Boa leitura e segue o link para o artigo original: “Less material consumption is not the end for business“.

19 ago

Sobre touros, Picasso e a simplicidade: como um livro quer mudar o mundo a partir das cidades

Picasso 2

Uma das melhores metáforas da vida que conheço está presente em uma série de onze litografias de Pablo Picasso, chamada “Touro” (foto) (http://www.artyfactory.com/art_appreciation/animals_in_art/pablo_picasso.htm). Ali, o espanhol decompõe o animal até, finalmente, ficar restrito à sua essência. É uma obra impressionante, à qual é difícil ficar indiferente.

Picasso 1

Desde a primeira vez em que a vi, pareceu-me óbvia a maneira como a obra sintetiza a vida, a nossa relação com as pessoas, as coisas e as ideias. No fundo, tudo se resume a uma palavra: simplicidade. Menos é mais. Como o “Touro”.

Viver é simples e, com certeza, a maior parte das respostas que buscamos são simples. No entanto, o processo de se chegar a essa simplicidade é complexo e exige de nós – assim como foi feito nas litografias de Picasso – a capacidade de identificar e retirar o supérfluo até chegar ao espírito do que buscamos.

O motivo dessa divagação a respeito de Picasso, touros e simplicidade tem a ver com um conjunto de ideias expostas no livro “Mudar o mundo a partir das cidades: em busca da sociedade 4.0”.

Escrito em 2014 pela jornalista e doutora em Educação, Adriana Silva, a obra reúne as ideias defendidas pelo Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais – do qual Adriana é presidente -, em especial o processo de mudança social a partir da aplicação do princípios da Teoria U e do Design Thinking.

Em síntese, esse processo de mudança está assente no desenvolvimento de redes de cooperação que agem a partir das cidades e é aí que a coisa começa a ficar MUITO interessante.

Em uma das subdivisões do livro, chamada “Modelos de formação de Redes de Cooperação”, Adriana apresenta algumas ideias para uma gestão mais eficiente das cidades. [Na verdade, é um pouco mais complexo do que isso, mas a afirmação não é, de todo, incorreta]. As cinco sugestões que ela expõe serão apresentadas neste site, a partir de amanhã.

Mas existe uma sexta proposta, que talvez seja uma das ideias mais simples mas, ao mesmo tempo, de execução extremamente difícil, que diz respeito a um processo de (re)construção da Cidade. Basicamente é um conjunto de ideias sobre como uma comunidade quer a sua cidade nos próximos vinte ou trinta anos e os meios de se chegar até lá. Parece um Plano Diretor? Parece, sim, mas é mais do que isso, no mínimo pela presença implícita de mecanismos de defesa contra interferências político-partidárias ou de lobbies econômicos (embora, em alguns casos, um seja a extensão do outro).

Antecipando parte do que será exposto aqui, cito um trecho. No item “Empoderamento da sociedade: aplicando a Teoria U”, a autora afirma que “… a estrutura política brasileira, pensando nas cidades, se apresenta equivocada, quando concebe e permite que os municípios sejam conduzidos por candidatos eleitos, para realização de programas de governo elaborados por suas equipes, às vésperas de cada processo eleitoral”.

O que daí se segue é algo impressionante, pelo impacto que poderia causar na gestão de uma cidade caso viesse a aplicado. E, falando em Picassos e touros, é de uma simplicidade absurda.

Mas isso é um assunto que fica para amanhã, quando começamos a falar não apenas dessa proposta (fantástica, a meu ver) e das demais que estão no livro. Até lá.

10 ago

Hortas aéreas no Brooklyn

Curiosamente, ontem (domingo/9Ago2015), um dos canais da tv a cabo mostrou um documentário, chamado “Nova York, a Revolução Verde”, mostrando como a principal cidade dos Estados Unidos passou de um verdadeiro pesadelo ambiental nos anos 1970  para algo mais palatável, na primeira década do século 21.

Entre as experiências apresentadas esteve essa horta do Brooklyn. O portal do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), chamado Iniciativa Ciudades Emergentes e Sostenibles, fez uma matéria interessante sobre esse tipo de iniciativa. Abaixo, segue o trecho inicial:

Cómo gestionar un huerto urbano: Brooklyn Grange

Lechugas, tomates, espinacas, coles y zanahorias. Bienvenidos a Brooklyn Grange, el huerto urbano de tierra al aire libre más grande del mundo. Abrió sus puertas en la primavera de 2010 y cuenta con dos sedes en la ciudad de Nueva York, sumando un total de 2.5 hectáreas.

Aquí se producen más de 50,000 libras (22.680 kg) de verduras y hierbas locales cultivadas orgánicamente al año, proporcionando un oasis comestible para los amantes de la naturaleza local y gourmets.

La sede principal se ubica en el popular barrio neoyorkino de Queens, sobre un edificio comercial de inmensos pilares capaces de sustentar todo el peso requerido para un huerto de tales dimensiones.”

O resto pode ser lido no http://blogs.iadb.org/ciudadessostenibles/2015/07/28/brooklyn-grange/.

07 ago

O Comur, a participação dos seus conselheiros e outras histórias

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Boas e más notícias sobre o Conselho Municipal de Urbanismo de Ribeirão Preto (Comur). As boas têm a ver com decisões tomadas pela nova diretoria, que tem como presidente o engenheiro João Theodoro Feres Sobrinho.

  • Por exemplo, na última reunião, ocorrida no dia 27 de julho e acompanhada pelo Uma Ideia de Cidade, ficou decidida a adoção de linha-dura contra faltas de conselheiros. Segundo Feres Sobrinho, a partir da comprovação da terceira falta sem justificativa, o Comur enviará ao órgão representado (neste caso, não-representado) pelo conselheiro faltoso um pedido de troca do representante. (No final desta publicação, você vai entender melhor a dimensão das faltas).
  • A outra decisão tomada na mesma reunião do dia 27 foi bastante prática e lógica: câmaras setoriais só serão criadas quando houver demanda. Ou seja, não adianta criar dez ou quinze câmaras para ficarem às moscas.

Pelo que percebi, foi aceita pelos conselheiros a criação das câmaras de Uso e Ocupação do Solo e de Regularização Fundiária. Além disso, também está sendo analisada a possibilidade de se criar uma terceira, ligada ao Mobiliário Urbano.

Agora as notícias não tão boas.

  • Não é aceitável que se marque o horário das reuniões para as 18h30 para depois atrasar em meia hora o início dos trabalhos. Não é exatamente um bom exemplo.
  • A página do conselho na Internet continua bastante desatualizada, ou melhor, está com informações sobre a nova diretoria, mas a última ata disponível é da reunião de junho. O resto da página parou em 2009.
    • É preciso que essas informações sejam atualizadas com urgência, para que a comunicação com a sociedade também possa ocorrer de maneira mais ampla. Nem todos podem ir às reuniões do conselho, por vários motivos. Por isso, o conselho deve tornar públicas, o mais rapidamente possível, informações sobre o teor das reuniões e das discussões que ali ocorrem.

Por fim, há que ter uma agenda das reuniões. Não é possível que se diga que as reuniões são públicas, abertas a todos e não se divulguem os dias e horários das reuniões.

Faltas

No início desta publicação, falamos sobre a decisão da atual diretoria do Comur em trocar conselheiros que faltem mais de três vezes.

No total, o Conselho Municipal de Urbanismo tem 56 representantes (A Acirp é listada duas vezes). Na última reunião, contando com o presidente e vice, havia provavelmente cinco conselheiros e dois ou três “visitantes”, como eu.

Em primeiro lugar, há que se louvar quem esteve presente, cumprindo o seu papel. Depois, como não podia deixar de ser, estranhar a ausência de tanta gente.

O que vamos fazer

  • Na próxima semana, este site vai enviar uma comunicação ao presidente do Comur solicitando informações sobre a atualidade da lista de entidades que estão no Comur e, se for o caso, pedir uma relação atualizada, para publicação no site.
  • Além disso, também vamos solicitar a lista de presença da reunião do dia 27 de julho e das duas anteriores, para que possamos ver quem vai às reuniões do conselho. E, a partir de então, publicar a lista de presença de todas as reuniões que acontecerem.

Um apelo: não se muda uma cidade sem a participação de todos. Assim como é reprovável a ausência de conselheiros, também o é a baixa presença do público.

Entidades no Comur

Alguns comentários:

  • Dos 56 lugares, 21 pertencem (direta ou indiretamente) à Prefeitura (Benza Deus!!!);
  • É inacreditável que a Universidade de São Paulo não esteja entre os participantes;
  • Dúvida: há representantes da Federação de Associações de Bairro e, depois, representantes das associações de bairro? A mesma coisa acontece em relação a associações do meio ambiente. É isso mesmo? Além disso, há associações do mesmo bairro?

Segue a lista:

Prefeitura Municipal: Secretarias

  • 01 Governo
  • 02 Jurídico
  • 03 Administração
  • 04 Assistência Social
  • 05 Cultura
  • 06 Educação
  • 07 Esportes
  • 08 Fazenda
  • 10 Fazenda
  • 11 Infra-Estrutura
  • 12 Planejamento e Gestão Ambiental
  • 13 Saúde
  • 14 Meio Ambiente
  • 15 Obras Públicas

Prefeitura Municipal: Autarquias

  • 01 TRANSERP
  • 02 Guarda Civil Municipal de Ribeirão Preto
  • 03 COHAB
  • 04 DAERP
  • 05 CODERP
  • 06 SASSOM – Saúde dos Municipiários de RP
  • 07 Fundação Dom Pedro II

Clube de Serviços

  • 01 Rotary Club de Ribeirão Preto

Sindicatos

  • 01 FIESP- Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
  • 02CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo
  • 03SECRP- Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto
  • 04SINCOVARP- Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto
  • 05 Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo
  • 06 Sindicato Rural de Ribeirão Preto
  • 07 Sindicato dos Servidores Municipais
  • 08 SINDUSCON- Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo

Associações Profissionais

  • 01 Associação dos Advogados de Ribeirão Preto
  • 02 AREA- Associação Regional dos Escritórios de Arquitetura
  • 03 AEAARP – Ass. Eng. Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto
  • 04 ACIRP – Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto

Conselhos Profissionais

  • 01 OAB – Ordem dos Advogados do Brasil – 12º Subsecção de RP

Universidades

  • 01 Centro Universitário Barão de Mauá
  • 02 Instituição Universitária Moura Lacerda

Associações

  • 01 ACIRP – Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto
  • 02 AMASUL – Associação Amigos do Nova Aliança Sul
  • 03 NOVASUL – Associação dos Amigos do Nova Aliança Sul
  • 04 AMOR – Associação dos Moradores da Ribeirânia
  • 05 AMOVITA
  • 06 ASAC – Associação Amigos do Jardim Canadá
  • 07 Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil
  • 08 Associação Cultural e Humanística
  • 09 Associação de Moradores do Jardim Palmares
  • 10 CDL- Câmara de Dirigentes Lojistas de Ribeirão Preto
  • 11 FABARP – Federação das Associações de Bairro de Ribeirão Preto
  • 12 FEPARDO – Federação Pardo Grande e Entidades Ecológicas e Ambientalistas
  • 13 PRAXIS – Instituição de Participação e Cidadania
  • 14 SAC – Sociedade amigos do Canadá
  • 15 SACY – Sociedade Amigos City Ribeirão
  • 16 Sociedade Tamburi
  • 17 SODERMA – Sociedade de Defesa do Meio Ambiente
  • 18 AASG – Associação Amigos do Saint Gerard
  • 19 AAVIGO – Associação Amigos da Vila do Golfe
27 jul

Ideias de e para Ribeirão Preto

Logotipo

 

O site Uma Ideia de Cidade inicia hoje uma nova fase da sua existência. Até agora, procuramos divulgar ideias já prontas ou em vias de implantação em diversos locais do mundo, mas com uma especificidade: que elas, de alguma forma, pudessem ser implantadas em Ribeirão Preto.

Os critérios para a publicação dessas ideias são a originalidade e o fato de serem exequíveis, sobretudo financeiramente. Sobre eles, o princípio de que toda a ideia publicada, o projeto publicado aqui, deve ter um fim social. Ou seja, deve ter um impacto positivo sobre  a qualidade de vida dos moradores da cidade/região, em geral, ou de uma área, em especial.

Com o post de hoje, a essa ideia inicial junta-se outra, que justifica a própria criação do site: em um primeiro momento, tornar-se útil à comunidade onde está instalado (Ribeirão Preto), fornecendo ideias que, eventualmente, possam ser utilizadas. Em um segundo momento, procurar interferir na realidade da cidade, sobretudo sendo mais um espaço de discussões sobre ela.

Assim, a partir de hoje, uma vez por mês, vamos publicar projetos de urbanistas e últimos anistas dos cursos de Arquitetura e Urbanismo oferecidos pelas diversas instituições de ensino da cidade (Uniseb, Moura Lacerda, Unip, Barão de Mauá e Unaerp). O fato de o curso da Unaerp ser bastante recente , sem formando, criou uma brecha muito interessante, que é a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de projetos desde o seu início.

Até o momento já foram selecionados um pouco mais dez projetos, em diversas áreas, mas todos obedecendo às duas máximas do site: originalidade e exequibilidade. O próximo post vai destacar um projeto de Fábio Fideles, apresentado como conclusão de curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda, em 2013. A orientação foi feita pelo professor Francisco Gimenes.

Fábio desenvolveu um projeto chamado “O Presídio e sua Função Social”, que discute, de maneira MUITO interessante, o modo como a arquitetura pode ser utilizada em um processo mais amplo de ressocialização de presos. É o post de amanhã. Até lá.

20 jul

O sol na cozinha


O título deste texto foi usado pelas Nações Unidas para definir um projeto que está sendo desenvolvido no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, que é o sexto mais populoso do país e, também, o segundo mais rico. Foi ali que uma parceria do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP, na sigla em inglês) e o governo inglês deu origem a um projeto em uma instituição de caridade, a RK Mission, que usa energia solar para aquecer cerca de 3 mil refeições por dia para 650 crianças. O resultado é a redução da dependência do gás de cozinha pela instituição e, ao mesmo tempo, a economia de cerca de US$ 8 mil a cada ano.

O vídeo acima explica bem melhor como é o projeto. Neste endereço (http://www.in.undp.org/content/india/en/home/ourwork/environmentandenergy/videos/the-solar-bowl-/#), você pode acessar o site das Nações Unidas sobre o projeto e, também, o mesmo vídeo.

Será que essa não era uma boa ideia para Ribeirão Preto?

18 jul

Se você planeja cidades para automóveis e trânsito, você terá automóveis e trânsito

Uma praça localizada nas proximidades do MetroCable, em Medellín (Colômbia).

Uma praça localizada nas proximidades do MetroCable, em Medellín (Colômbia).

O site Project for Public Spaces é um bom ponto de partida para gestores municipais e, claro, integrantes do nosso Poder Legislativo. Em uma de suas últimas publicações, estão listadas DEZ estratégias para transformar as cidades e os espaços públicos através do uso de um conceito chamado Placemaking. A primeira delas é essa aí e também resume, de forma assustadoramente simples, o que é o conceito de Placemaking:

Placemaking is based on a simple principle: if you plan cities for cars and traffic, you will get cars and traffic. If you plan for people and places, you will get people and places. More traffic and greater road capacity are not the inevitable results of growth. They are products of very deliberate choices made to shape our communities to accommodate the private automobile. We have the ability to make different choices — starting with the decision to design our streets as comfortable and safe places for everyone — for pedestrians and bicyclists as well as drivers.

As outras nove estratégias podem ser encontradas neste endereço do Project for Public Spaces: http://www.pps.org/reference/ten-strategies-for-transforming-cities-through-placemaking-public-spaces/